segunda, 14 de outubro de 2019


Sáb, 02 de Fevereiro de 2013 10:03

Devotos fazem festa e oferendas para Iemanjá, a Nossa Senhora afro...


O vigilante Eloísio Teixeira, morador do bairro do IAPI, fez todo um ritual antes de entregar as suas oferendas à Iemanjá neste 2 de fevereiro de sol forte em Salvador. Ele escolheu uma área afastada da praia a fim de ter mais calma na hora de fazer as preces. "Primeiro eu agradeço e depois eu faço pedidos", disse. Eloísio conta que a tradição é herdada de mãe e pai. "Agora eu tento passar isso para o meu filho de um ano", completa. O garoto acompanhava o pai, junto com a mãe, nas homenagens na praia do Rio Vermelho.

Eloísio e a família são algumas das milhares de pessoas que foram realizar o ponto alto da devoção à Rainha do Mar na manhã deste sábado (2), na capital baiana. Além das belas histórias de cada um em meio à multidão, o que mais chama a atenção na Colônia de Pescadores, onde os presentes que serão lançados ao mar à tarde são recebidos, é a imensa fila que reúne os fiéis incansáveis.

O dia  ensolarado é mais um convite à praia do Rio Vermelho. Muita gente prestou suas homenagens cedo e resolveu se refrescar nas águas calmas e de temperatura agradável para o banho. Embora o mar fique tomado pelas oferendas, banhistas acharam um espaço no casa da Rainha do Mar para aproveitar o início do fim de semana com um dos programas preferidos do baiano: a praia.

Os presentes deixados pelos devotos que encaram a fila na Colônia de Pescadores só serão levados ao mar à tarde. Mas há quem prefira conversar diretamente com Iemanjá.

As pedras da praia do Rio Vermelho são o acesso para as águas. Aos poucos, os balaios com flores, espelhos, pentes e outros utensílios de beleza são deixados para agradar a entidade que tem como maior característica a vaidade.

Por causa da tradicional aglomeração na orla, o trânsito foi modificado nas imediações do Rio Vermelho. Até por volta das 8h40, o fluxo na Avenida Garibaldi, um dos principais acessos à festa, estava tranquilo. No entanto, a previsão é de que seja formado congestionamento na via ao longo do dia.

História
Conhecida como uma das mais populares festas de celebração pública do candomblé, o festejo acontece desde 1923, quando houve uma diminuição na oferta de peixes da Vila dos Pescadores do Rio Vermelho. A tradição conta que eles pediram ajuda ao orixá, conhecida como a Rainha do Mar, e seguiram para ofertar presentes para Iemanjá. A oferta foi feita no meio do mar e, desde então, a festa é realizada todos os anos no dia 2 de fevereiro.

Oferendas antecipadas
A festa começa antes do raiar do sol do dia 2 de fevereiro. Mas há quem prefira homenagear o orixá, conhecido como "rainha do mar", um dia antes, para "evitar a muvuca de gente", como a dona Maria dos Reis, de 80 anos, que se deslocou da Liberdade, bairro distante e um dos mais populares da cidade.

"Ano passado, nesta data, eu estava internada em um hospital, cheia de problemas de saúde. Lembro que pedia a Deus e à nossa rainha, e hoje eu estou aqui inteira como todo mundo pode ver, não é?", comentou bem humorada.

Segundo ela, a tradição herdada dos pais e dos avós é respeitada todos os anos, com agradecimentos e entregas de presentes. "Este ano trouxe pente, perfume de alfazema e espelho, porque ela é vaidosa assim como eu", relatou.

Dona Maria deixou os seus presentes no interior da "Casa de Iemanjá", localizada na Colônia de Pescadores do Rio Vermelho. As lembranças dela e de todos os fieis são colocadas em balaios e organizados em uma estrutura chamada de "Caramanchão" entre esta sexta-feira (1°) e o dia da festa, que este ano acontece no sábado (2). Os pescadores seguem para o mar e doam os presentes a Iemanjá.

"Serão cerca de 300 balaios médios arrecadados nos dois dias. As pessoas trazem pentes, alfazema, espelho, flores e presentes dos mais variados. Trazem aquilo que a fé ou as promessas pedem que tragam, até objetos pessoais", explicou Luís Gonzaga dos Santos, um dos responsáveis pela organização das oferendas.





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