Seg, 11 de Março de 2013 20:22

Itaipu marcou mais de 2 mil peixes durante defeso


Com o fim do período de defeso (quando a pesca é restrita para proteger os peixes em reprodução durante a piracema), no dia 28 de fevereiro, os pescadores devem ficar atentos. Toda a pesca de peixe com marcador (pequeno dispositivo de identificação) deve ser comunicada à Itaipu, que monitora a rota de migração das espécies na região.

O projeto é executado pela Itaipu em parceria com a Companhia Energética de São Paulo (CESP) e a Entidade Binacional Yacyretá (Argentina e Paraguai), que operam usinas onde também existem mecanismos de passagem para peixes (escada e elevador de peixes). A área de estudo abrange o rio Paraná desde a divisa com o Estado de São Paulo até as cidades de Ayolas (Paraguai) e Ituzaingó (Argentina).

A comunicação é importante porque os marcadores servem para revelar a rota de deslocamento dos peixes migradores e, principalmente, a eficiência do Canal da Piracema de Itaipu. Com a análise dos dados, a partir das informações repassadas pelos pescadores, será possível ajustar ou promover novas ações que visem à preservação das espécies.

Como avisar

A orientação é simples: caso um peixe com marcador seja retirado da água, o pescador poderá ficar com ele ou devolvê-lo, mas deverá entrar em contato pelo telefone 0800 645 2002 ou enviar a marca para a caixa postal 2001 – CEP 85866-900, Foz do Iguaçu (PR), sem custo. Na correspondência, deve constar o nome, endereço, numero da marca, local e data da captura. Se possível, informar também o peso do peixe, o tamanho e o tipo de material usado na captura.

Essas informações também podem ser passadas por telefone aos setores competentes das usinas de Itaipu, Porto Primavera e Yacyretá. Além de contribuir com a pesquisa, o pescador receberá em casa um brinde surpresa. “As informações dos marcadores são todas registradas em banco de dados”, explica Hélio Martins Fontes Júnior, da Divisão de Reservatório, da Itaipu.

Marcadores

São três os principais tipos de marcadores. O mais simples, de plástico, chamado Dart Tag, tem cor azul ou vermelha e mede aproximadamente dez centímetros. Ele é facilmente identificado porque está inserido na parte externa do peixe. No marcador, constam apenas o número de identificação e o telefone para contato. Mais de dois mil peixes foram marcados com Dart Tag somente no período da piracema 2012 – 2013.

O outro marcador que pode ser encontrado é uma pequena cápsula de vidro com cerca de 3 centímetros, inserido dentro do peixe. Esse tipo de marcador reflete o sinal emitido por leitores instalados ao longo do Canal da Piracema. Funciona de maneira semelhante aos dispositivos de segurança fixados, por exemplo, em mercadorias de lojas de departamento.

A Usina de Porto Primavera também usa esse tipo de marcador e alguns peixes marcados lá já foram registrados pelos leitores instalados no Canal da Piracema na Itaipu. Da mesma forma, peixes marcados em Itaipu também já foram registrados em Primavera. A distância entre essas duas usinas é de aproximadamente 400 km.

O terceiro marcador, mais sofisticado, é chamado de rádio transmissor, por emitir sinais de radiofrequência captados por antenas no Canal da Piracema. Ele é produzido em resina plástica e foi introduzido na barriga dos peixes, com um fio visível na parte externa.

Histórico

Responsável pelo programa de marcação dos peixes, Sandro Alves Heil, da Divisão de Reservatório, diz que esse trabalho começou em 1996, antes mesmo da construção do Canal da Piracema, e o objetivo específico era saber a rota e o deslocamento das espécies de peixes migradores da região.

Em 2002, foi inaugurado o Canal da Piracema e, hoje, a marcação serve como uma ferramenta para avaliar os peixes que passam pelo Canal, que é o maior em extensão e desnível do mundo.

Das 180 espécies de peixes existentes no Rio Paraná, aproximadamente 22 são consideradas migratórias de longa distância, ou seja, costumam nadar centenas de quilômetros para desovar na época de reprodução, fenômeno conhecido por piracema. Essas espécies são aquelas que possuem maior valor comercial e são as mais cobiçadas, tanto na pesca esportiva como na profissional.

Algumas, no entanto, estão se tornando cada vez mais raras. Entre as espécies de peixes migratórias mais frequentes na região estão o dourado, a piapara, o pintado, a curimba, o piau e o pacu, além de outras como piracanjuba, barba-chata, jurupoca, jaú, mandi e cascudo-preto.

Colaboração é fundamental

Ao longo de 15 anos, já foram marcados mais de 38 mil peixes. Desse total, cerca de 1.100 peixes marcados foram capturados e informados às entidades responsáveis pelo estudo. Segundo Fontes Júnior, pode parecer muito, mas, tendo em vistas as mudanças no ambiente, é necessário continuar o estudo.
Cerca de 850 pescadores profissionais atuam no lago de Itaipu – sem contar os pescadores esportivos. De acordo com Fontes Júnior, para que o trabalho continue e seja possível aumentar a taxa de retorno, o papel do pescador é crucial. “É de fundamental importância o pescador nos informar quando coletar um peixe marcado”.




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