domingo, 24 de março de 2019


Ter, 28 de Maio de 2013 10:00

Análise: 'O grande Gatsby' peca ao apostar no excesso de glamour


A análise é dos críticos de cinema do G1...

Jay Gatsby, personagem criado pelo escritor americano F. Scott Fitzgerald, ganha um novo longa-metragem nas mãos do australiano Baz Luhrmann. O cineasta é fiel ao seu estilo, ao usar referências estéticas dos sucessos de sua filmografia. "O grande Gatsby", que estreia dia 7 de junho em 3D, tem algo de "Romeu + Julieta" (1996) e "Moulin Rouge: Amor em vermelho" (2001).

Assim como o protagonista da história - o milionário que compra um castelo e promove festas luxuosas para atrair a amada -, Luhrmann aposta no excesso de glamour, mas peca ao tentar encaixá-lo na trama. Dos figurino aos efeitos especiais, passando pelas sequências de pequenos "videoclipes", o longa tem a marca extravagante e barroca do diretor.

Como fez anteriormente em "Romeu + Julieta", ao colocar uma peça de Shakespeare em cenário contemporâneo, o cineasta mistura a atmosfera dos anos 1920 com uma trilha sonora impecável, que traz Jay-Z, Beyoncé, will.i.am, Lana Del Rey, Florence and the Machine, entre outros, juntando hip hop e jazz com charleston.

Panorâmicas de Nova York, em crescimento na época, fazem lembrar a Paris de "Moulin Rouge", com boêmios e bordéis. O efeito 3D só faz sentido nas cenas de planos abertos, quando fogos de artíficio se intercalam com champagnes explodindo e piruetas de dançarinas. Para a abordagem completa da obra de Fitzgerald, os 142 minutos de duração são necessários. Mas usar os óculos 3D durante todo esse tempo é cansativo, até porque o recurso não é essencial em grande parte do filme.

Ao assumir o posto de Robert Redford, que viveu Gatsby em 1974, Leonardo DiCaprio surpreende principalmente na parte final e mais dramática do longa, em que a superficialidade das festas se transforma em uma análise do personagem principal.

Por sua vez, Carey Mulligan deixa a desejar em sua interpretação da socialite Daisy Buchanan, peça-chave da história, que pouco convence em seu romance com Gatsby. Mulligan, que estourou em "Educação" (2009), perde mais uma vez a oportunidade de se destacar em um papel, assim como fez em "Não me abandone jamais" (2010) e "Shame" (2011). Ao contracenar com DiCaprio, o jeito "sem sal" da atriz transparece ainda mais e o casal não tem a química exigida pela trama.

Há cerca de 10% de "videoclipes" (figurantes dançando qualquer música e fazendo qualquer coisa); e diálogos entre os atores preenchem uns 20%. "O grande Gatsby" é sustentado em boa parte pela narração de Tobey Maguire, que interpreta o inexpressivo Nick Carraway. Já os coadjuvantes Joel Edgerton, Elizabeth Debicki e Isla Fisher conseguem chamar a atenção do público para seus personagens. Após a primeira parte acelerada e alto astral da narrativa, o filme cai em um ritmo lento e trágico, condizente com o clima depressivo da obra de Fitzgerald.





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