quarta, 16 de outubro de 2019


Qua, 04 de Janeiro de 2017 18:38

Paraná contraria tendência nacional e aumenta exportações em 2016


O Paraná registrou uma receita de exportações em US$ 15,2 bilhões em 2016, o que representou um aumento de 1,8% em relação aos US$ 14,9 bilhões registrados em 2015, de acordo com dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. O Estado seguiu na direção contrária dos resultados do Brasil. Em 2016, o País registrou um recuo de 3,09% nas exportações na comparação com o ano anterior, com um faturamento de US$ 191,1 bilhões.

“Apesar da quebra da safra, que frustrou a exportação do excedente da produção de grãos, e o patamar de preços das commodities não ser mais tão favorável como há dez anos, o Paraná conseguiu ter um resultado acima da média brasileira” diz Julio Suzuki, diretor presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico Social (Ipardes). 

De acordo com ele, a previsão é de um avanço mais forte das exportações em 2017. 

MAIOR CRESCIMENTO - O Paraná teve o maior crescimento de exportações entre os Estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, que reúnem as maiores economias do País. Levantamento do Ipardes mostra que das 11 unidades dessas regiões, apenas quatro tiveram resultados positivos. Além do Paraná, São Paulo registrou alta de 1,4%, Rio de Janeiro e Goiás (0,9%) cada um. 

Enquanto as exportações brasileiras foram afetadas mais fortemente pela queda dos preços internacionais, o Paraná teve, nas vendas externas, influência positiva dos setores de celulose e de transporte, principalmente. “Houve uma boa contribuição da celulose e da retomada da venda de automóveis para a Argentina”, diz Suzuki Júnior. 

SUPREENDENTE - Influenciada pela instalação da nova fábrica da Klabin em Ortigueira, nos Campos Gerais, a exportação de celulose cresceu 147 vezes no Paraná em 2016. Passou de US$ 2,09 milhões, em 2015, para US$ 308,96 milhões no ano passado. 

As vendas de veículos de carga, por sua vez, aumentaram 195,3%, de US$ 113,8 milhões para US$ 336,3 milhões. As exportações de automóveis cresceram 56,1%, de US$ 386,8 milhões para US$ 603,7 milhões. As vendas do setor automotivo foram beneficiadas pela retomada das encomendas da Argentina. 

“Foi surpreendente a capacidade de redirecionamento da produção da indústria automotiva do Estado para o País vizinho. Os automóveis, que chegaram a ser o primeiro produto exportado pelo Paraná, perderam posições nos últimos anos e vem recuperando espaço. Hoje estão em quinto lugar na pauta”, diz Suzuki Júnior. 

TRATORES E AGRO - As vendas de tratores, por sua vez, tiveram crescimento de 27,5%, de US$ 188,7 milhões para US$ 240,5 milhões. 

No agronegócio, os destaques foram as exportações de carne suína in natura, que aumentaram 30,2%, de US$ 132,4 milhões, em 2015, para US$ 172,3 milhões em 2016. As exportações de açúcar bruto tiveram alta de 13,4%, de US$ 792,8 milhões para US$ 898,8 milhões. 

PREVISÃO 2017 - De acordo com Suzuki Júnior, a perspectiva de uma boa safra de soja e de milho deve aumentar a exportação tanto na forma de grão quanto de proteína animal, como frango. “Isso deve fazer com que as exportações tenham destaque na economia do Estado nesse ano” afirma. 

Suzuki Júnior lembra que a previsão é positiva também tanto para automóveis, com a continuidade de exportações para a Argentina, quanto para o setor de celulose. 

IMPORTAÇÕES – Na direção contrária, as importações, por sua vez, tiveram queda de 10,89% no Paraná em 2016, influenciadas pela queda no consumo com a recessão. As importações passaram de US$ 12,4 bilhões, em 2015, para US$ 11,09 bilhões em 2016, influenciadas pela queda de encomendas de óleo bruto de petróleo, automóveis e componentes, por exemplo. 

SUPERÁVIT -Com a queda nas importações e o aumento das exportações, o Paraná registrou um superávit comercial de US$ 4,08 bilhões, o maior desde 2005 (US$ 5,5 bilhões). Apesar de positivo, o resultado da balança comercial ainda reflete o efeito da recessão, puxado principalmente pela queda nas importações. “O que percebemos é que há uma corrente de comércio baixa, que reflete um pequeno volume de transações tanto nas exportações quanto nas importações”, diz.




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