sexta, 15 de dezembro de 2017


Seg, 10 de Abril de 2017 11:12

São mais espertos do que a lei que eles mesmos fazem, veja:

Berzoini, do PT, lider da manobra... Berzoini, do PT, lider da manobra...


 

Uma das principais estratégias de deputados e senadores para evitar, neste momento de descrédito dos políticos, uma ampla renovação do Congresso Nacional, é aprovar as mudanças nas eleições proporcionais para votação em lista fechada e preordenada. Na prática, o eleitor não votaria mais no candidato a deputado ou vereador, mas, sim, na legenda. Dessa forma, um candidato desconhecido, mas com influência dentro do partido, poderá ser eleito se estiver em uma posição privilegiada na lista, elaborada internamente.

 


Políticos de siglas com muitos caciques na mesma região poderão ter como saída, para garantir o mandato, concorrer por outro estado. No Partido dos Trabalhadores (PT), legenda que sofreu o maior desgaste após o estouro da Lava-Jato e o impeachment de Dilma Rousseff, não há um movimento pensado da direção nacional de redistribuir líderes para todos conseguirem uma vaga no parlamento. Algumas figuras, contudo, apesar de não admitirem, se articulam para mudar de domicílio eleitoral com um olho na eleição em lista. Ex-ministro e ex-deputado por quatro legislaturas Ricardo Berzoini tomou a frente e transferiu o título de eleitor de São Paulo para o Distrito Federal.

Berzoini informou a mudança em uma rede social e garantiu que não tem pretensão de concorrer a nada em 2018. Ele explicou que o lado pessoal pesou na decisão. “A principal razão para isso é o fato de estar morando com minha esposa Sonia e dois de meus filhos em Brasília desde 2003, quando o presidente Lula me nomeou para sua equipe ministerial. Como estou vivendo mais em Brasília do que em São Paulo, acho correto integrar-me ao eleitorado de onde resido”, justificou.

Articulação

Dentro do PT-DF, entretanto, nem todos acreditam que ele não pensa mais em disputar um pleito. Hoje, o PT de São Paulo tem 10 deputados federais. Se os candidatos à reeleição tiverem preferência na lista, Berzoini seria, na melhor das hipóteses, o 11º nome. E conquistaria a vaga apenas em um cenário muito favorável, pois a tendência é de que o PT eleja uma bancada paulista menor desta vez, visto que, em 2014, conquistou até o Presidência da República e ainda não estava imerso em uma crise tão profunda. “Em Brasília, ele pode aparecer mais bem colocado na lista e ter mais chance de vitória”, analisa um integrante da cúpula do partido na capital.

Outro que estuda se mudar de mala e cuia para Brasília — literalmente, pois é gaúcho — é o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS). Com o PT em baixa e com pouca mobilização após Agnelo Queiroz (PT) perder a reeleição para o Executivo local, ele liderou os principais movimentos do partido nos protestos contra o impeachment de Dilma Rousseff (PT). Como criou os filhos e mora com a mulher na capital desde 2003, além da grande integração na legenda local, surgiram, há algum tempo, os rumores de que estaria planejando se mudar de vez para o DF.

O Correio não conseguiu contato direto com o deputado, mas a assessoria dele afirmou que, de fato, após a atuação na luta contra o impeachment, surgiram convites de diversos grupos políticos, alguns que nem são ligados ao PT, para ele iniciar uma vida partidária na capital. E o caso dele é parecido com o de Pimenta, que seria muito prejudicado pela mudança na legislação. Isso porque, apesar de ter sido o deputado federal mais votado pelo PT-RS nas duas últimas eleições, ele não pertence a uma corrente política interna na sigla com tanta força e, com certeza, não figuraria nas primeiras colocações da lista.

Até mesmo Dilma pode entrar nesse grupo de petistas andarilhos. Ela sofreu o impeachment, mas, por uma manobra orquestrada pelo então presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), não perdeu os direitos políticos — pelo menos enquanto a chapa dela com o presidente Michel Temer não for cassada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A amiga, senadora e ex-ministra da Agricultura, Kátia Abreu (PMDB-TO), trabalha para que a ex-presidente concorra a uma das duas vagas de senador por Tocantins.


Ministro do STJ pede prudência a Congresso

Para o corregedor nacional de Justiça, ministro João Otávio de Noronha, uma legislação mais dura sobre abuso de autoridade não vai evitar investigações contra agentes políticos. Assim, o Congresso deve ser “prudente” na discussão do projeto que pode punir juízes e procuradores. Noronha, que é responsável por orientar juízes e puni-los administrativamente, diz que é muito “complicado” que parlamentares na mira de investigação discutam o projeto. “Hoje, talvez, alguns ansiosos que querem punir (juízes), certamente vão, amanhã, acabar com a Justiça, porque ficarão para sempre impunes”, disse.

 

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