domingo, 22 de outubro de 2017


Qui, 13 de Abril de 2017 13:17

Centro Administrativo do DF teve 'acordo' em contrato e troca de alvará por caixa 2, diz delator

Arruda e Agnelo, ex-governadores do DF Arruda e Agnelo, ex-governadores do DF


s negociações para a construção do Centro Administrativo do Distrito Federal, em Taguatinga, entre 2007 e 2014, foram marcadas por "acordos de mercado" na fase de licitação e repasses ao caixa dois de campanhas eleitorais, afirma um dos delatores da Odebrecht na operação Lava Jato. Responsável pela obra, o consórcio Centrad é formado pela empreiteira e pela Via Engenharia, que tem sede em Brasília.

As informações constam na delação do ex-executivo da Odebrecht João Antônio Pacífico Ferreira – os vídeos foram liberados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira (12) (veja trechos ao longo da reportagem). O delator cita envolvimento dos ex-governadores Agnelo Queiroz (PT) e José Roberto Arruda (PR) no esquema – as defesas dos políticos não quiseram comentar o caso.

No depoimento, Pacífico afirma que a concessão da carta de habite-se para o complexo de 180 mil metros quadrados, no último dia útil de 2014, foi parte de um acordo de "colaboração de campanha", em verbas não declaradas para a reeleição do então governador Agnelo Queiroz.

Nesse trecho do depoimento, o delator não chega a citar os valores que, supostamente, teriam sido pagos à campanha de Agnelo em 2014. Em um dos pedidos de inquérito enviados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) à Justiça Federal no DF, consta um suposto pagamento de R$ 1 milhão em propina – este, referente a 2010.

Segundo o ex-executivo da Odebrecht, cada parcela do repasse era condicionada a um tipo de contrapartida. "Implementar as garantias, recebimento da primeira fase, aprovação do aditivo, implementação, 'assim, assado'", enumera. Os acordos constavam em uma planilha, "uma espécie de programa de ação".

Durante o depoimento, João Antônio Pacífico defendeu que as contrapartidas exigidas pelo consórcio "não eram mais que uma obrigação" do GDF, ou seja, atitudes que deveriam ter sido tomadas antes mesmo do acordo. Segundo ele, um total de R$ 2,5 milhões chegou a ser "operacionalizado".

Habite-se 'catastrófico'

Em um dos vídeos liberados, o delator explica aos procuradores da República que, mesmo com a promessa de financiamento, o habite-se do Centro Administrativo foi obtido "de uma forma muito catastrófica". Segundo ele, Agnelo Queiroz forçou a liberação do documento em tempo recorde porque queria "ter a placa dele" como responsável pela inauguração.

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