domingo, 22 de outubro de 2017


Sáb, 15 de Abril de 2017 22:37

Adeus pureza... PT é o partido que mais recebeu recursos ilegais da Odebrecht: R$ 204,9 mi


Dois ex-presidentes da República, ex-ministros, senadores, deputados, prefeitos, gestores de estatais, enfim, políticos que têm em comum mais do que a filiação ao mesmo partido. Após comandarem o país por 13 anos, passaram a protagonistas das denúncias, agora conhecidas, no maior acordo de delação premiada dentro das investigações da Operação Lava-Jato. São crimes de corrupção ativa e passiva, caixa dois, lavagem de dinheiro e fraude em licitação, além de propinas com nome de doação eleitoral.

 

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A maioria desses agora “ex” de seus antigos postos será investigada sem a salvaguarda do foro privilegiado. O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), mandou os processos para Justiça Federal do Paraná. Ou seja, a cargo do juiz federal Sérgio Moro, que capitaneia as investigações da operação em primeira instância.

Apesar de as denúncias envolverem quase uma dezena de partidos, o Partido dos Tralhadores (PT) foi quem que mais recebeu recursos supostamente ilegais da empresa Odebrecht. Um total de R$ 204,9 milhões. De acordo com os delatores da empreiteira, nessa conta está o dinheiro que irrigou as campanhas eleitorais de Dilma Rousseff e de parlamentares do partido.

Em troca das doações, recebiam benefícios, inclusive com a aprovação de medidas provisórias, como a MP 703/15, ainda no governo Lula. De acordo com as delações de Emilio Odebrecht, pai de Marcelo Odebrecht, e do executivo da empreiteira Cláudio Melo Filho, houve conversas para que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o então ministro Jaques Wagner editassem legislação que possibilitasse acordo de leniência entre o Poder Executivo e pessoas jurídicas envolvidas em infrações sem contar com a intervenção do Ministério Público. “Foi dito ao ministro que era importante que o governo e Congresso discutissem mecanismos de acordos de leniência”, disse Cláudio no depoimento ao Ministério Público.

Parentes

Do outro lado do Oceano Atlântico, a Odebrecht contratou, no âmbito de obras em Angola financiadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a empresa do sobrinho de Lula, Taiguara Rodrigues, a pedido do ex-presidente. De acordo com o Marcelo Odebrecht, o parente do petista criou a Exergia sem ter experiência na área de construção e somente para fazer uso da influência de Lula. O ex-presidente já é réu em processo, acusado de intermediar contratos para a empresa do sobrinho com a Odebrecht em obras realizadas em Angola, com financiamento do BNDES.

Entre as denúncias, até a imprensa se beneficiou das “doações” da empreiteira Odebrecht. A revista Carta Capital teria recebido R$ 3 milhões, a título de empréstimo. O repasse à revista teria sido intermediado pelo ex-presidente Lula e o então ministro Guido Mantega. O valor seria pago “na forma de compensação com espaços publicitários”.

O atual relator da comissão especial da reforma política na Câmara, o deputado federal Vicente Cândido (PT-SP), também teria sido beneficiado com caixa dois para a campanha em 2010. Da mesma forma, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) recebeu doações eleitorais para sua campanha à prefeitura de Nova Iguaçu, no Rio. Em troca, a empreiteira teria interesses atendidos no município fluminense.

A sede voraz por dinheiro do partido que comandou o país por mais de uma década chegou a ser verbalizada pelo empresário Emílio Odebrecht ao próprio Lula. Ele teria dito ao então presidente da República que o “pessoal” do petista tinha “goela muito aberta” e que mais pareciam “crocodilo” do que a “jacaré”.


Tucanos sob investigação

No PSDB, políticos tiveram pedidos de investigação autorizados, entre eles, os senadores Aécio Neves (MG), Antonio Anastasia (MG), José Serra (SP) e Ricardo Ferraço (ES); os deputados João Paulo Papa (SP) e Yeda Crusius (RS); o governador Geraldo Alckmin (SP), entre outros. A citação do envolvimento dos três principais nomes da legenda para a disputa presidencial do ano que vem traz incertezas para os filiados que cobram caminhos alternativos.


Contra o presidente da legenda, Aécio Neves, o ministro-relator da Lava-Jato no Supremo autorizou a abertura de cinco inquéritos. Em uma das peças, o 4.392, o político é acusado de corrupção passiva, lavagem de dinheiro, corrupção ativa, cartel e fraude a licitações na construção da Cidade Administrativa de Minas Gerais, quando era governador. De acordo com as delações do diretor-presidente da Odebrecht, Benedicto Barbosa da Silva Júnior, e do diretor superintendente da empreiteira em Minas Gerais à época, Sérgio Neves, Aécio teria recebido R$ 5,2 milhões de propina só da empresa para fraudar a licitação e favorecê-la.


Sérgio Neves conta, em um dos depoimentos, que Aécio teria combinado com Benedicto que a empresa participaria da construção do empreendimento e o então presidente da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig), Oswaldo Borges da Costa — alvo de dois inquéritos —, acertaria os detalhes com Sérgio Neves, diretor-superintendente da empreiteira em Minas, à época. O valor final do contrato ficou em R$ 360 milhões e a contrapartida era que as empreiteiras destinassem 3% de propina. Aécio nega irregularidades, por meio da assessoria, e afirma que “é falsa e absurda a acusação de que teria participado de algum ato ilícito envolvendo a licitação ou as obras da Cidade Administrativa de Minas Gerais”. (Natália Lambert/Correio Braziliense))

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