Ter, 18 de Abril de 2017 11:24

Premiê britânica propõe eleições antecipadas para 8 de junho


A premiê britânica, Theresa May, propôs nesta terça-feira (18) antecipar as eleições no Reino Unido para o dia 8 de junho. Ela pretende sair fortalecida da votação para negociar a retirada do Reino Unido da União Europeia. A antecipação do pleito, que estava previsto para 2020, já recebeu o apoio do principal líder da oposição e da Escócia.

"Precisamos de uma eleição geral e precisamos agora", disse em Downing Street a primeira-ministra, que precisa da aprovação do Parlamento para convocar a eleição antecipada. A medida precisa ser aprovada por dois terços dos parlamentares na votação prevista para quarta-feira (19).

Se aprovada a medida, em menos de dois meses, os britânicos irão às urnas para eleger o novo Parlamento. Assim, o partido que conseguir a maioria vai indicar o seu líder como primeiro-ministro. Algumas pesquisas indicam que a popularidade de May supera com folga - de até 20 pontos - a do principal líder da oposição.

May disse que ela precisa de uma liderança forte para negociar a retirada do Reino Unido da União Europeia. Esse processo foi iniciado há cerca de três semanas após o acionamento do artigo 50 do Tratado de Lisboa e que deve durar ao menos dois anos.

A premiê afirma que outros partidos se opõem aos planos do governo para conduzir esse processo e que os oponentes estão errados de pensar que o governo mudará a sua posição.

“Vamos remover o risco de incerteza e instabilidade. Ela vai dar ao país a liderança forte que ele precisa”, afirmou May, segundo o jornal “The Guardian”.

Theresa May era ministra do Interior e chegou a Downing Street após a renúncia do premiê David Cameron, em junho de 2016, e graças a sua vitória em uma votação interna do Partido Conservador. Cameron fez campanha contra o Brexit e se viu impossibilitado de liderar o país no processo de "divórcio" com a UE.

Apoio da oposição

A proposta foi celebrada pelo líder da oposição ao governo de Theresa May, o trabalhista Jeremy Corbyn, que garantiu que o seu partido dará o apoio que a premiê precisa para aprovar a proposta no Parlamento.

As pesquisas mais recentes apontam se tratar de um momento favorável para os conservadores, avalia John Curtice, professor de Política da Universidade Strathclyde. As médias das últimas consultas populares apontam que os conservadores têm o apoio de 42% da população, enquanto os trabalhistas têm 26%, o suficiente para dar à premiê uma "maioria significativa", de acordo com a France Presse.

A premiê escocesa, Nicola Sturgeon, afirmou que a antecipação do pleito abre uma nova possibilidade para que a Escócia escolha o seu futuro. O país, que se opõe à retirada do bloco econômico europeu, precisa da aprovação do parlamento britânico para realizar um segundo plebiscito sobre a sua retirada do Reino Unido. A estratégia para permanecer na União Europeia encontrou dura oposição do governo de Theresa May.

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, afirmou ter conversado com May pelo telefone. No Twitter, ele ainda comparou a surpreendente reviravolta da saga Brexit a uma trama do filme de Alfred Hitchcock: "Foi Hitchcock, que dirigiu Brexit: primeiro um terremoto e a tensão sobe".

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