sábado, 21 de outubro de 2017


Qui, 18 de Maio de 2017 17:49

Vai embalar o Mateus: deputado paranaense que se explique, segundo Temer


Reportagem do Uol de hoje aponta que o presidente Michel Temer (PMDB) afirmou a aliados que o deputado federal paranaense Rodrigo Rocha Loures (PMDB) deve assumir a responsabilidade pelo recebimento de R$ 500 mil do empresário Joesley Batista, um dos donos do grupo JBS, como parte de propina paga em defesa de interesses do conglomerado junto ao governo.

Em delação, Joesley Batista afirma ter combinado o repasse de recursos a Rocha Loures – ex-assessor direto de Temer – com o presidente, para resolver uma pendência de seu grupo no Cade, órgão de controle da liberdade de concorrência. A conversa teria sido gravada pelo empresário.

O paranaense foi filmado pela Polícia Federal recebendo o dinheiro. O jornal O Globo, que revelou ontem o caso, publicou hoje fotos do deputado recebendo o dinheiro em uma pizzaria de São Paulo. Os recursos fariam parte de uma propina que envolveria o pagamento de R$ 500 mil semanais por vinte anos, totalizando R$ 480 milhões. Na conversa gravada com o presidente, Temer teria orientado Joesley a resolver o assunto com Rocha Loures, que deixou a assessoria do presidente em março para assumir o mandato de deputado federal em substituição a Osmar Serraglio (PMDB), nomeado ministro da Justiça.

De acordo com o Uol, pessoas próximas a Temer afirmam ter recebido indicações de que o parlamentar estaria disposto a confirmar esta versão de que a responsabilidade pela negociação seria dele. Essa seria uma das linhas de defesa de Temer contra a acusação do dono da JBS.

Essa explicação vem sendo tratada no círculo de Temer como a principal defesa do presidente desde que informações sobre a delação de Joesley vieram a público.

Em conversas com aliados e auxiliares desde a noite de quarta-feira (17), o presidente teria se defendido das acusações feitas na delação, alegando que não autorizou qualquer entrega de dinheiro a Rocha Loures e que o deputado deveria se explicar sobre o caso. Temer também afirmou estar seguro de que, na conversa que Joesley gravou, ele “não disse nada de comprometedor”, nas palavras de um ministro.

Peemedebistas querem que Rocha Loures diga que recebeu o dinheiro para uso pessoal. Essa versão, eles dizem, poderia ajudar a isentar Temer, segundo o Uol.

Rocha Loures está em Nova York, onde fez uma palestra sobre política brasileira a investidores internacionais. Ele divulgou nota na noite de quarta-feira (17) em que afirma que vai “se inteirar e esclarecer os fatos divulgados” quando voltar ao Brasil –o que está previsto para esta quinta-feira. O ministro do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, afastou o paranaense do mandato de deputado federal hoje. A Polícia Federal realizou operação de busca e apreensão no gabinete do parlamentar em Brasília e em endereços dele em Curitiba.

Segundo o jornal “O Globo”, Joesley se encontrou com Loures e pediu ajuda em questão que envolve o preço do gás fornecido pela Petrobras à termelétrica EPE, usina do grupo J&F. O empresário afirma na delação que Loures ligou para o presidente em exercício do Cade e pediu solução para o caso, em troca de R$ 500 mil semanais por 20 anos.

A entrega do dinheiro, feita por Ricardo Saud, diretor da JBS e um dos sete delatores, foi filmada pela PF.

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