sábado, 19 de agosto de 2017


Sex, 19 de Maio de 2017 14:32

O Irã realiza eleições; saiba um pouco sobre


Os iranianos foram às urnas nesta sexta-feira para eleições presidenciais em que Hassan Rouhani busca se reeleger. O clérigo moderado de 68 anos que negociou um acordo nuclear histórico com potências mundiais em 2015 compete contra três outros candidatos. Seu principal opositor é Ebrahim Raisi, de 56 anos, um clérigo linha dura e ex-promotor que mantém relações próximas com o líder supremo aiatolá, Ali Khamenei.

Todo presidente em exercício tem sido reeleito no Irã desde 1985, quando o próprio aiatolá Khamenei ganhou um segundo mandato. Ele votou poucos minutos depois que as urnas foram abertas às 8h desta sexta-feira do horário local (às 24h30 em Brasília). "Todo mundo deveria votar nesta importante eleição", disse. Já Hassan Rouhani votou uma hora depois.

O Irã tem 54 milhões de eleitores. Se nenhum candidato acumular mais de 50% dos votos, haverá um segundo turno na próxima semana.

Seis candidatos foram aprovados para concorrer, mas dois retiraram a candidatura esta semana. O primeiro foi o prefeito linha dura de Teerã, Mohammed Baqer Qalibaf, que prometeu apoio a Raisi. Em seguida, o vice-presidente Eshaq Jahangiri, um reformista, saiu da corrida para abrir caminho para Rouhani.

Interesse ao mundo

O Irã é um ator importante no Oriente Médio. Devido ao seu programa nuclear e ao apoio aos governos liderados pelos xiitas no Iraque e na Síria, as potências mundiais veem Teerã como parte do problema e da solução para os desafios da região.

Essas relações e a conduta do programa nuclear podem mudar de acordo com quem se tornar presidente, uma vez que a política nacional iraniana trava uma luta de poder entre conservadores e reformistas/moderados. No entanto, de certa forma, o resultado da eleição pode ser visto sem tanta importância, porque o poder de fato reside no líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei.

Além disso, o presidente moderado Rouhani foi quem convenceu o conservador aiatolá a dar sua benção ao acordo nuclear que limita o programa iraniano e impede que o país desenvolva uma bomba atômica.

Portanto, se um presidente mais conservador chegar ao poder, a possibilidade de se cancelar o acordo dependerá da avaliação do líder supremo, que, por sua vez, depende da ação das potências de cumprir o acordo ou de manter as vantagens que o Irã pode tirar da suspensão das sanções.

Já o apoio do Irã ao governo sírio não está em discussão. Não se esperam mudanças nesta área. A única diferença pode ser que uma administração reformista ou moderada tenha mais chances de ter um rosto internacionalmente legítimo na questão do apoio ao presidente sírio, Bashar al-Assad.

Também não se esperam reformas políticas. Independentemente de quem ganhar as eleições, o trabalho será dificultado pelas estruturas de poder nas mãos de conservadores, como o Judiciário e o aparato de segurança.

Assim, é difícil apostar em melhorias em áreas como direitos humanos, da liberdade de expressão política e dos meios de comunicação.

O Irã tem uma mistura de sistemas políticos

O Irã é frequentemente visto como uma teocracia islâmica, mas é uma mistura de diferentes sistemas políticos, incluindo elementos da democracia parlamentar.

Há dois blocos majoritários no parlamento, mas o poder está nas mãos dos conservadores, que não são eleitos e que tentam, sem êxito, parecer neutros. Em última instância, eles decidem o quanto de liberdade política e social querem permitir.

As instituições de poder estão compostas essencialmente por pessoas eleitas por votação ou nomeadas pelo líder supremo. Aquelas com membros nomeados são lideradas por conservadores. Já as compostas por indivíduos eleitos - o governo, o parlamento e os conselhos locais - mudaram de mãos entre conservadores e moderados ao longo dos anos.

O gabinete do presidente e o Poder Executivo podem ser reformistas/moderados, e têm sido assim nos últimos quatro anos com Rouhani no posto. Seu principal rival à presidência é o candidato conservador Ebrahim Raisi, uma figura relativamente desconhecida, mas poderosa no sistema religioso e judiciário.

Muitos iranianos aprenderam a aceitar as limitações de qualquer administração em promulgar reformas significativas. Os iranianos tendem a julgar seu presidente com base no que ele pode mais ou menos alcançar dentro da estrutura existente, que não é insignificante.

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