Ter, 10 de Outubro de 2017 19:08

Evangélicos da Câmara Municipal criticam revista Veja e Rede Globo

Vereador Osías Moraes Vereador Osías Moraes


Vereadores da bancada evangélica da Câmara Municipal de Curitiba criticaram hoje a revista Veja e a TV Globo, por supostos ataques ao segmento religioso que eles representam. O protesto começou com críticas do vereador Ezequias Barros (PRP) contra o artigo “Essa gente incômoda”, publicado pela Veja, em que José Roberto Guzzo aborda a expansão das denominações evangélicas no Brasil. A ele se juntaram em seguida os vereadores Osias Moraes (PRB), Thiago Ferro (PSDB), Noemia Rocha (PMDB) e Dr. Wolmir Aguiar (PSC) com críticas à forma como a fé deles estaria sendo tratada pela mídia.

Os parlamentares reclamaram também de reportagens na última edição do programa Fantástico, da TV Globo, no domingo, e voltaram a citar o caso da exposição Queermuseu, em Porto Alegre (RS), suspensa após acusações de veicular “pornografia”. No fim da sessão de votações de hoje duas moções de repúdio já circulavam em plenário. Osias Moraes chegou a pregar um boicote contra a rede de TV.

“Ele fala de um povo que é ordeiro, e que incomoda, sim, porque faz o que muitos não fazem”, disse Ezequias, referindo-se ao colunista da Veja. Thiago Ferro chamou o articulista de “energúmeno”.

Para Noemia Rocha, que avalizou moção de repúdio contra o texto, o artigo foi “ofensivo” e “discriminatório”, pois “a comunidade evangélica está respaldada na Constituição”. Osias Moraes ironizou serem chamados de “conservadores”, uma vez que recebem na igreja “todo tipo de pessoas”. A moção destaca outros trechos, como o que diz serem os evangélicos “um problema sem solução”. “O tom impresso ao texto abre flanco direto contra o sentimento, a honra e a reputação de milhões de cristãos em todo o Brasil”, diz o documento, afirmando que “o tom manifestamente abusivo” extrapola “o direito de liberdade de expressão jornalística”.

“Resta inequívoco que a comunidade evangélica continuará ‘incomodando’ todas as práticas, políticas e iniciativas que perpetuem as mazelas sociais, a pobreza, a desagregação da família e seus valores, e em qualquer canto, pedaço ou rincão desse imenso país onde haja o menor vestígio de sofrimento humano”, termina a moção, que deve ser votada amanhã. Durante o debate, Zezinho Sabará (PDT) e Oscalino do Povo (Pode) declararam apoio à moção. O outro repúdio retomado após debate, foi em protesto à exposição Queermuseu.

Osias Moraes disse que reportagem exibida no domingo pelo Fantástico sobre uma família e uma escola do Rio de Janeiro que não faz distinção de gênero na hora da escolha dos brinquedos e roupas das crianças seria uma “distorção de valores”. “Há uma corrente para a sociedade aceitar esses absurdos, essa inversão de valores”, disparou, convocando os vereadores a aderirem à campanha “Um dia sem Globo”, no dia 23 de outubro. Ele se referiu à emissora como “Rede de Esgoto” e disse não assistir o canal “há muitos anos”.

“No Fantástico que aprendemos (que) um casal de dois bizarros, esquisitos, de aparência suja, que criam um dos filhos homem brincando de boneca são mais modernos e corretos que você. É isso que a rede Globo passou. Nós agora estamos invertendo… nós que somos os incorretos, nós que constituímos famílias, criamos os nossos filhos dentro de uma disciplina, dentro de uma moral, dentro de um princípio, nós somos os incorretos, os cafonas, os retrógrados”, ironizou Moraes.

O vereador citou outra matéria do Fantástico, em que traficantes teriam agido contra umbandistas na favelas do Rio de Janeiro. Osias Moraes acusou o jornal de ser parcial ao associar a fé deles com o ato de transgressão. “Eles (os traficantes agressores) são intolerantes (na visão da reportagem) com umbandistas em comunidades, porque são religiosos cristãos e não por que são bandidos, com ética e moral distorcida”, reclamou o vereador.

“Quero dizer que não sou contra a pessoa que quer fazer (o que quiser) da sua vida, (se) ela é maior de idade. (Se) ela quer, (vai) fazer da sua vida o que bem entender: ‘ah, eu quero ser homossexual’, ‘tudo bem, vai ser homossexual’; ‘ah, eu quero ser lésbica’, ‘tudo bem, vai ser lésbica’; ‘ah, eu quero ser traficante’, ‘vai ser traficante’. Faça da sua vida o que você quiser. Mas nós não podemos aceitar esta corrente que há, e é ideológica, sim, dentro das escolas, para tentar tirar a família de foco”, disse Moraes.(Com informações do portal Bem Parraná)

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