Ter, 05 de Dezembro de 2017 20:33

Em 2050, Brasil será o país com mais gasto de previdência em relação ao PIB no G20, estima OCDE


Mantidas as regras atuais para a previdência, o gasto público do Brasil com aposentadorias chegará a 17% do PIB (Produto Interno Bruto, conjunto de riquezas do país) em 2050, maior taxa entre as principais economias do mundo, estima um novo relatório da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) divulgado nesta terça-feira (5).

O documento "Pensions at a Glance" compara o desempenho de 43 países, o que inclui todos os membros do G20 e da OCDE - a taxa projetada para o Brasil é a mais alta. Em média, esses países devem consumir 9,2% do PIB com aposentadorias em 2050, aponta o relatório.

Atualmente, o gasto brasileiro com aposentadorias está em 9,1% do PIB, o que o coloca na 25ª posição ao lado da Rússia. O resultado está mais próximo da média dos 43 países, hoje em 8,1%, segundo a OCDE.

Para efeito de comparação, o gasto da vizinha Argentina em relação ao PIB deve passar de 7,8% para 10,4% no mesmo período. Já alguns países europeus, que realizaram reformas nos seus sistemas de previdência, devem experimentar uma queda dos gastos em proporção ao PIB, como França (de 15% para 13% em 2050).

Por trás do esperado forte crescimento das despesas brasileiras com aposentadorias está o acelerado processo de envelhecimento populacional pelo qual o Brasil vem passando e a ampla cobertura da previdência no país.

Taxa de dependência de idosos

Outra estimativa do relatório da OCDE aponta que a taxa de dependência de idosos, indicador que calcula quantas pessoas com mais de 65 anos existem no país para cada 100 pessoas em idade de trabalhar (20 a 64 anos), deve pular no Brasil de 13, em 2015, para 62,3, em 2075, um dos maiores crescimentos no grupo analisado.

Com isso, a taxa de dependência brasileira deve ultrapassar a média dos demais países, projetada para subir de 25 agora para 55,6 em 2075.

No momento, o governo Michel Temer tenta aprovar uma reforma para modificar as regras de acesso aos benefícios previdenciários, com o objetivo de conter a expansão dos gastos com aposentadorias e pensões. Sua administração diz que as mudanças são fundamentais para equilibrar as contas públicas e consolidar a recuperação da economia.

Um dos pontos principais da proposta é estabelecer uma exigência de idade mínima para se aposentar, que seria fixada em 65 anos para homens e 62 para mulheres.

Outra medida, que elevaria a exigência de tempo mínimo de contribuição para se aposentar de 15 anos para 25 anos, gerou forte reação por afetar especialmente os mais pobres - devido ao alto grau de informalidade do mercado de trabalho - e acabou modificada. A ideia agora é manter a exigência em 15 anos, mas atrelar valores mais altos do benefício à comprovação de tempos maiores de contribuição.

(Da BBC Brasil)

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