Seg, 09 de Abril de 2018 11:12

Quem é o novo ministro que vai gerir economia por 9 meses após saída de Meirelles


 

 O Secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Eduardo Refinetti Guardia assume a partir desta terça-feira (9) o comando da pasta no lugar de Henrique Meirelles, exonerado do cargo depois de se filiar ao MDB, mirando uma possível candidatura nas eleições deste ano.

Guardia, paulistano de 52 anos, é o número dois da pasta desde junho de 2016. Entrou no ministério cerca de um mês depois de Meirelles ter assumido, quando Temer ainda era presidente interino. Guardia veio da bolsa de São Paulo, a BM&FBovespa, onde foi diretor financeiro e de produtos entre 2010 e 2016.

Antes da carreira no mercado financeiro - que inclui a GP Investimentos e a Pragma Gestão de Patrimônio -, ele também passou pelo setor público. Foi secretário de finanças do Estado de São Paulo entre 2003 e 2006, na gestão Geraldo Alckmin (PSDB), secretário-adjunto do Tesouro Nacional de 1999 a 2002 e assessor especial da Fazenda em 1998, quando a pasta era capitaneada por Pedro Malan, ministro do então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

A nomeação de Guardia é vista como uma sinalização de continuidade na gestão de Meirelles - ainda que, a 9 meses do fim do mandato de Temer, analistas considerem difícil que ele consiga ir muito além do dia a dia da execução orçamentária e avançar em pautas, como, por exemplo, a privatização da Eletrobras.

Isso porque a capacidade do governo de passar medidas no Congresso estaria cada vez mais comprometida, seja por causa da proximidade do calendário eleitoral, que reduz a disposição dos parlamentares para votar temas delicados (como a reforma da Previdência, por exemplo), seja pelos efeitos de uma eventual candidatura do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM) - rival de uma possível chapa Temer-Meirelles -, sobre a pauta da Casa.

Para o professor da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP) José Francisco de Lima Gonçalves, a experiência do economista no Tesouro vai facilitar o trabalho à frente da Fazenda, assim como esses quase dois anos como secretário-executivo, uma posição essencialmente de mediação.

"Enquanto o titular da pasta é o 'ministro para fora', o secretário-executivo é uma espécie de 'ministro para dentro', o filtro entre as demandas políticas e a área técnica da Fazenda e das carreiras da Receita e do Tesouro", ilustra.

Mais do que capacidade de dialogar com a ala política do governo e de articular novas propostas, são essas as habilidades de que Guardia precisará nesses próximos 9 meses. Períodos de fim de governo, diz o economista, são tradicionalmente focados nas áreas mais técnicas, já que não há mais muito espaço para costura política.

Para o economista-chefe do banco suíço UBS, Tony Volpon, que foi diretor de assuntos internacionais do Banco Central entre 2015 e 2017, o papel de Guardia será mais o de "tocar o dia a dia" da execução orçamentária.

"Esse é um período muito mais de gestão do que de iniciativa", diz.

Além da época de fim do mandato, em que tradicionalmente o Legislativo tem menor disposição para discutir temas polêmicos ou que gerem ônus político às candidaturas a reeleição, o cenário atual tem particularidades que dificultam ainda mais a aprovação de medidas no Congresso.

Há a intervenção federal no Rio de Janeiro, que suspende a promulgação de emendas constitucionais, e a possível candidatura de Rodrigo Maia (DEM), presidente da Câmara.

"Veja as MPs (Medidas Provisórias) que já caducaram (porque passaram do período de 120 dias para que fossem validadas pelo Congresso), a reforma da Previdência", ele destaca.

Para Volpon, a alternativa para Guardia seria tentar negociar com os deputados e senadores a votação de pautas mais técnicas.

Entre elas estariam, por exemplo, medidas microeconômicas já anunciadas, como a reforma da lei de falência e recuperação judicial ou a regulamentação do distrato - a devolução do imóvel pelo comprador.

Temas como a privatização da Eletrobras, que provavelmente deve continuar na agenda do ministério, têm pouca chance de avançar, avalia o economista-chefe do UBS




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