Ter, 10 de Abril de 2018 16:18

Mark Zuckerberg depõe ao Senado sobre uso de dados pelo Facebook


O presidente-executivo do Facebook, Mark Zuckerberg, participa de uma audiência no Senado dos Estados Unidos nesta terça-feira (10) para prestar esclarecimento sobre o escândalo do uso inadvertido dos dados de 87 milhões de usuários pela consultoria política Cambridge Analytica e as formas como a rede social protege a privacidade em sua plataforma.

A audiência conjunta é realizada entre os comitês de Justiça e do Comércio, Ciência e Transportes, ambas do Senado dos EUA. Na quarta, será a vez da Câmara dos Deputados. Lá Zuckerberg falará diante do Comitê de Energia e Comércio.

"Nós temos a responsabilidade de não apenas construir ferramentas, mas assegurar que elas sejam usadas para o bem", afirmou Zuckerberg.

Em seu discurso de abertura, o CEO do Facebook afirmou que os dados coletados pelo desenvolvedor do teste que gerou todo o escândalo foram vendidos pela Cambridge Analytica. Essa é a primeira vez que a rede social admite ou assume isso.

Questionamentos de senadores

“Estamos aqui por uma quebra de confiança", afirmou o senador John Thune, presidente da comissão de Comércio, Ciência e Transportes, em seus comentários iniciais. “Uma das razões para tantas pessoas estarem preocupadas com isso é porque isso diz sobre como o Facebook trabalha.”

Para ele, o "sonho americano" de Zuckerberg, ao criar o Facebook, pode se tornar um "pesadelo de privacidade" para americanos.

Outro senador a falar foi Chuck Grassley, presidente do comitê de Justiça. “Assim como a expansão da base de usuários, os dados coletados pelo Facebook de seus usuários também decolou”, comentou.

Grassley perguntou quantas vezes um app fez uma transferência de dados como a da Cambridge Analytica, mas Zuckerberg disse que a rede social conduz uma investigação, mas não respondeu. Outra questão a que o executivo não respondeu foi a sobre quantas vezes o Facebook fez valer aos desenvolvedores suas políticas de uso. "Eu não saberia dizer quantas vezes isso aconteceu"

Antes de fazer sua pergunta, o senador Bill Nelson contou que comentou com um amigo que gostava de um tipo de chocolate e começou a receber anúncios a respeito do doce. Citando o que uma executiva do Facebook havia dito em entrevista, o senador perguntou se a rede social estava pensando em cobrar de seus usuários para não ver propaganda.

Zuckerberg disse que obter recursos com anúncios da publicidade é a forma encontrada pela companhia para conectar bilhões de pessoas.

Ele disse que, quando soube que a Cambridge Analytica não havia deletado os dados de 87 milhões de usuários anos atrás, o Facebook não notificou os afetados porque "nós consideramos isso um caso encerrado".

Escândalo de vazamento de dados

A ida de Zuckerberg ao Congresso dos EUA ocorre na esteira do escândalo da manipulação indevida de dados de 87 milhões de usuários pela Cambridge Analytica, consultoria política que trabalhou para Donald Trump durante a corrida eleitoral de 2016 e na campanha para a saída do Reino Unido do Brexit.

A forma como as informações foram obtidas pela empresa britânica colocou no centro da discussão o modelo de negócio do Facebook e de outras empresas de tecnologia, que coletam, processam e armazenam dados de seus usuários para segmentar a distribuição de anúncios.

A polêmica da Cambridge Analytica ocorre em um momento em que começou a intensificar a pressão para regulamentar a atuação de empresas de tecnologia que mantêm plataformas, em que pessoas depositam grande quantidade de conteúdo.

No fim de fevereiro, a Câmara dos Deputados dos EUA aprovou uma lei que mudou um dos grandes paradigmas legais em torno de companhias de internet: a responsabilização judicial delas em caso de ações ilícitas praticadas por usuários.

A nova legislação permite que sites e serviços conectados sejam levados à Justiça caso sejam usados para o tráfico sexual. Até então, as empresas não podiam ser processadas, mesmo que suas plataformas fossem uma porta aberta para escravidão sexual ou tráfico de seres humanos. Os responsáveis por promover esses conteúdos é que deveriam ser processados.




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