terça, 16 de outubro de 2018


Ter, 05 de Junho de 2018 13:27

Enel investirá US$ 900 milhões entre 2019 e 2021 para melhorar serviço da Eletropaulo

 Carlo Zorzoli, country manager na Enel Brasil (esq.), e Mário Santos, presidente do Conselho de Administração (à dir.) (Foto: Luísa Melo/G1) Carlo Zorzoli, country manager na Enel Brasil (esq.), e Mário Santos, presidente do Conselho de Administração (à dir.) (Foto: Luísa Melo/G1)


O diretor-geral da Enel no Brasil, Carlo Zorzoli, disse nesta terça-feira (5) que a empresa Italiana vai investir US$ 900 milhões entre 2019 e 2021 para melhorar a qualidade do serviço e digitalizar sistemas da Eletropaulo, comprada em leilão na véspera por R$ 5,5 bilhões.

"Achamos que a Eletropaulo nos últimos anos não realizou todos os investimentos que precisava para manter a qualidade de serviço", disse em coletiva com jornalistas.

Zorzoli disse que, por enquanto, não há um plano para mudar o nome da empresa. O foco é na integração entre as companhias. Mas disse que há uma possibilidade de que mude para Enel, como todas as outras concessões da empresa são chamadas.

Questionado sobre se pretende fechar o capital da distribuidora na Bolsa de Valores, ele deu a mesma resposta.

"Sobre fechamento de capital também é cedo para dar essa resposta. Não temos nenhum plano hoje, veremos onde chegamos em 4 de julho". A data é o limite para que os investidores da Eletropaulo que mantiveram suas ações possam vendê-las à Enel pelo preço de R$ 45,22, fixado no leilão ocorrido na véspera.

'Sem dinheiro não se faz serviço'

Perguntado se os investimentos anunciados vão implicar em aumento de tarifa para os consumidores, Zorzoli destacou que apenas 20% do que é cobrado dos consumidores vai para a atividade de distribuição e que os eventos climáticos, por exemplo, impactam mais a tarifa.

Especificamente sobre os 20% que cabem à atividade, ele afirmou: “Bom, sem dinheiro não se pode fazer o serviço”.

Ele destacou, porém, que para que os investimentos afetem a tarifa, antes eles precisam ser reconhecidos pela Aneel e que a revisão tarifária é feita a cada quatro ou cinco anos. "A próxima revisão [para a Eletropaulo] está prevista para julho do ano próximo, então, a maioria dos investimentos que afetariam a tarifa [nessa revisão] já foram feitos", disse.

A Eletropaulo abastece São Paulo, a cidade mais populosa do país, e a região metropolitana, onde a densidade demográfica é alta, ou seja, são muitos consumidores concentrados em um espaço "pequeno".

Isso significa que a necessidade de investimentos da distribuidora é menor do que de outras que precisam levar energia a regiões pouco habitadas e de grande extensão territorial, como Mato Grosso ou Amazonas.

É também por esse motivo que a tarifa da Eletropaulo é uma das mais baixas do país. Os investimentos em ativos usados para distribuir energia (subestações, cabos e postes) e o número de consumidores atendidos são critérios levados em conta pela Aneel para definir a remuneração das distribuidoras.

BNDES e Eletrobras

A Enel não divulgou a nova composição acionária da Eletropaulo, que ainda deve mudar até o dia 4. Mas, segundo Zorzoli, o BNDES "seguramente" reduziu sua participação na empresa e vendeu ações no leilão. Ele não disse quantas ações foram vendidas e não soube responder quanto à fatia da União no negócio.

Perguntado se com a compra da Eletropaulo a Enel irá desistir de olhar para ativos da Eletrobras, Zorzolli disse que não comentaria.

“Não é que a história da Enel acabe com a Eletropaulo, seguimos olhando oportunidades no Brasil, mas não vou fazer comentários específicos”.

Líder na distribuição

A italiana Enel se tornou líder em distribuição de energia no Brasil ao fechar a compra de 73% da Eletropaulo por R$ 5,552 bilhões. Ao todo, foram negociados 122,7 milhões de ações em oferta pública em leilão realizado na segunda-feira (4) na Bolsa de Valores (B3). O preço por ação, de R$ 45,22, foi definido no dia 30 de maio.

A Eletropaulo tem 167,3 milhões de ações em circulação. Se todos os acionistas tivessem optado por vender seus papéis à companhia italiana, o custo da operação seria de R$ 7,56 bilhões.

Com a transação, a Enel ainda se comprometeu a fazer um aumento de capital na distribuidora paulista de pelo menos R$ 1,5 bilhão.

Para assumir o controle da Eletropaulo, a companhia italiana ofereceu um valor por ação maior do que o proposto pela Neoenergia (R$ 39,53).

Com a compra do controle da Eletropaulo, a Enel adiciona 7 milhões de consumidores à base de clientes no Brasil, que alcança 17 milhões, "acelerando sua trajetória de crescimento nas maiores áreas metropolitanas do mundo", conforme disse a companhia em nota.

Antes da negociação, a liderança em distribuição de Energia era ocupada pela CPFL Energia, da chinesa State Grid.

A briga pela distribuidora, responsável por levar energia a São Paulo e outras 23 cidades da região metropolitana, foi acirrada, com direito a interferência de autoridades na negociação e críticas públicas entre as possíveis compradoras.

O grande interesse na transação se deveu à possibilidade de controlar a companhia, até então de capital pulverizado, e a vantagens operacionais por conta do tamanho, da região abastecida e do perfil do consumidor atendido por ela, segundo especialistas ouvidos pela reportagem.





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