terça, 16 de outubro de 2018


Seg, 11 de Junho de 2018 11:35

POR TRÁS DA FESTA: Rússia uma ‘ditadura democrática’; oposicionistas ao governo estão presos ou banidos


 Não é só por ser a anfitriã da Copa do Mundo de 2018 que a Rússia tem chamado a atenção da opinião pública mundial. Os russos têm se envolvido em situações polêmicas que causam fortes reações dos países ocidentais. A mais recente delas foi a suspeita de envenenamento de um ex-espião russo em território britânico, que terminou com uma tensão diplomática com vários países do mundo.

A atuação de Moscou na busca de influência política internacional também merece destaque. A suspeita de ingerência na eleição americana que teve a vitória de Donald Trump, e o apoio ao regime de Bashar al-Assad, na Síria, geram críticas frequentemente. No plano interno, o governo de Vladimir Putin, reeleito recentemente para ficar no poder até 2024, é acusado de promover a homofobia.

Envenenamento de ex-espião

O ex-espião russo Serguei Skripal e a filha, Yulia, foram encontrados inconscientes em 4 de março em um banco em uma rua de Salisbury, no sul da Inglaterra, após serem expostos a uma substância tóxica.

As autoridades britânicas afirmam que na ação foi utilizada a substância Novichok, um agente que atua sobre o sistema nervoso produzido apenas em laboratórios militares russos. O governo de Vladimir Putin nega com veemência qualquer envolvimento no ataque.

Skripal, coronel do serviço secreto militar russo condenado por alta traição, ficou hospitalizado por mais de dois meses. Em 2010 foi envolvido em uma troca de espiões e se mudou para a Inglaterra, onde recebeu refúgio.

O incidente envolvendo Yulia e o pai desencadeou uma crise diplomática do Reino Unido com a Rússia. A premiê britânica, Theresa May, determinou a expulsão de 23 diplomatas russos -- medida que foi seguida pelos EUA e uma série de países europeus. Trezentos diplomatas russos de cerca de 30 de países foram obrigados a voltar para casa.

Ajuda a Assad

 

Encontro de ditadores

A atuação da Rússia na guerra da Síria também acirra os ânimos na comunida internacional. Vladimir Putin se tornou o principal aliado do governo de Bashar Al-Assad no confronto, que dura sete anos e já deixou mais de 350 mil mortos.

Depois do isolamento da Rússia devido à crise da Ucrânia, Putin quis reposicionar seu país no cenário internacional, entre outras coisas, como potência atuante no Oriente Médio. Além disso, a Rússia e o Irã compartilham o objetivo de diminuir a influência dos Estados Unidos na região.

Desde 2015, a Rússia faz ataques aéreos no território sírio, o que foi fundamental para virar o andamento da guerra a favor de Assad. Os russos afirmam que o objetivo é atingir terroristas, como os militantes do Estado Islâmico, mas grupos que se opõem ao presidente Assad dizem que rebeldes e civis também são alvos.

Os maiores sucessos militares dos russos aconteceram em Aleppo e Palmira. Nesse contexto, no entanto, o Kremlin ignorou diversas acusações de crimes de guerra contra civis. Além do apoio logístico e militar, a Rússia atua na defesa do regime sírio nos organismos internacionais, como o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

A Rússia saiu em defesa do seu aliado após um ataque contra a cidade de Duma, reduto rebelde na província de Guta Oriental, em abril, em que as postências ocidentais levantaram suspeitas de utilização de armas químicas pelas tropas de Assad. (Com G1, Agências e Arquivo Panorama)