domingo, 15 de setembro de 2019


Sex, 13 de Julho de 2018 17:29

Riquixá do MPPR volta a atacar


Quatorze pessoas, entre elas o atual secretário de Administração e Previdência do Paraná, Fernando Guignone, foram denunciadas pelo Ministério Público do Paraná (MP) nesta sexta-feira (13) por fraude na licitação para a concessão do transporte coletivo de Curitiba, realizada em 2009, durante a gestão de Beto Richa (PSDB) na prefeitura.

A denúncia é um desdobramento da Operação Riquixá, realizada pelos núcleos de Guarapuava, Centro-Sul do Paraná, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e do Grupo Especializado na Proteção ao Patrimônio Público e no Combate à Improbidade Administrativa (Gepatria).

De acordo com o MP, a maior parte dos denunciados é ligada a um grupo empresarial que se dividiu para ocupar majoritariamente os três consórcios que disputaram e venceram a Concorrência Pública n.º 005/2009, de Curitiba, e que possui concessões do transporte coletivo em vários municípios paranaenses.

Entre as peças centrais da operação está o advogado Sacha Reck, que chegou a representar o Sindicato das Empresas de Transportes de Curitiba (Setransp), e fechou termo de colaboração premiada, depois de ter sido preso. A delação de Sacha serviu como base para as investigações. O MP aponta que Sacha Reck "fazia parte do núcleo técnico da organização criminosa", formada por técnicos ligados a uma empresa de engenharia e três pessoas que ocupavam altos cargos na Urbs (autarquia municipal resposável pelo transporte público) à época, presidente, diretor de Transporte e diretor da área de Operação do Transporte Coletivo.

Foram denunciados Marcos Valente Isfer, ex-presidente da Urbs, denunciado por associação criminosa e fraude a licitação; Fernando Eugênio Ghignone, atual secretário de Estado da Administração e da Previdência (Seap) e ex-diretor de transporte da Urbs, denunciado por associação criminosa e fraude a licitação; Luiz Filla, integrante da Comissão Especial de Recebimento, Análise e Julgamento da Licitação, denunciado por associação criminosa e fraude a licitação; Dante José Gulin, empresário, denunciado por associação criminosa, fraude a licitação e falsidade ideológica; José Luiz de Souza Cury, ligado ao consórcio Transbus, denunciado por associação criminosa, fraude a licitação e falsidade ideológica; Acir Antonio Gulin, empresário, denunciado por associação criminosa, fraude a licitação e falsidade ideológica; Rodrigo Corleto Hoelzl, ligado ao consórcio Pioneiro, denunciado por associação criminosa, fraude a licitação e falsidade ideológica; Julio Xavier Vianna Junior, ex-sócio de uma empresa de engenharia, associação criminosa, fraude a licitação e falsidade ideológica; Felipe Busnardo Gulin, empresário, denunciado por associação criminosa, fraude a licitação e falsidade ideológica; Antônio José Vellozo, integrante da equipe técnica da Setransp, denunciado por associação criminosa, fraude a licitação e falsidade ideológica; Guilherme de Salles Gonçalves, advogado, denunciado por associação criminosa, fraude a licitação e falsidade ideológica; Marco Antonio Gulin, empresário, denunciado por falsidade ideológica; Wilson Luiz Gulin, empresário, denunciado por falsidade ideológica; Vergínia Luíza Macedo, ligada à família Gulin, denunciada por falsidade ideológica.

Veja a íntegra da denúncia

Por meio de nota, o Setransp, que representa as empresas de ônibus que operam o sistema em Curitiba e região, informou que “seu corpo jurídico vai aguardar o recebimento da denúncia para se posicionar”.

A prefeitura de Curitiba informou que a atual gestão não participou da licitação do transporte e os dirigentes da época não ocupam mais cargos. Além disso, a Urbanização de Curitiba (URBS) não foi notificada.

A defesa de Guilherme de Salles Gonçalves afirma que não houve participação do advogado em atos ilícitos e que, tão logo ele seja citado, tomará as medidas jurídicas cabíveis.

O ex-governador e ex-prefeito de Curitiba Beto Richa não quis comentar o assunto por não ter cido citado na denúncia. O governo do Estado também foi procurado para se pronunciar sobre a denúncia contra o secretário Fernando Ghignone, mas não quis comentar.

A reportagem tenta contato com os demais citados.

Organização criminosa

Deflagrada em junho de 2016, a Operação Riquixá investiga organização criminosa que fraudava licitações de transporte coletivo em várias regiões do país. De acordo com a denúncia, os réus denunciados nos são ligados a um escritório de advocacia, além de sócios de três empresas de engenharia, que utilizavam seus conhecimentos técnicos para dissimular o direcionamento das concorrências e empresários do ramo de transporte coletivo, além dos agentes públicos de diferentes municípios que franquearam ao grupo criminoso a possibilidade das práticas criminosas.

Por decisão do Tribunal de Justiça do Paraná, como a investigação partiu de Guarapuava, ainda que envolvam irregularidades praticadas em outras cidades, os processos tramitam na 1ª Vara Criminal de Guarapuava.

Fraude em Curitiba

Segundo o delator Sacha Reck, as empresas reunidas no Setransp tiveram acesso exclusivo ao edital da licitação de 2010 em Curitiba – cujo resultado vale até hoje – durante sua elaboração. Mesmo após terem quase todas suas “sugestões” rejeitadas pela Urbs, as empresas conseguiram manipular vários pontos do edital conforme seus interesses, diz Reck.

O edital da licitação foi publicado em 29 de dezembro de 2009. Poucos dias antes, segundo Reck, representantes das empresas, da Urbs e da prefeitura já haviam se reunido para acertar condições negociadas entre as partes, o que comprovaria o conluio entre elas.

A combinação entre Setransp e Urbs começou, segundo o delator, já em 2008, quando o então diretor de transporte da Urbs, Fernando Ghignone, teria passado ao empresário Dante Gulin – então vice-presidente do Setransp – informações sobre a futura licitação e recebia “sugestões” por parte das empresas. “Foi constrangedor”, disse Reck sobre uma reunião com troca de informações.

Resultado de imagem para riquixá

Este é um riquixá de luxo e moderno, mas é um riquixá... 



Twitter - Políticos

Jair Bolsonaro


Ratinho Junior


Rafael Greca


Álvaro Dias


Flavio Arns


Professor Oriovisto Guimarães

S5 Box