Sex, 20 de Julho de 2018 15:48

Nos cinemas, 'Ilha dos Cachorros' é animação fofa sobre exclusão social


O cinéfilo mais atento vai lembrar do nome de Wes Anderson. O diretor norte-americano é um dos autores com assinatura mais facilmente reconhecível no cinema atual. A fórmula de cenários coloridos, enquadramentos simétricos, personagens peculiares foi consagrada em filmes como ‘O Grande Hotel Budapeste’ e ‘Moonrise Kingdom’, dando origem a uma série de homenagens e paródias que vivem pipocando na internet.

Agora, Anderson volta à animação (gênero que já tinha explorado em ‘O Fantástico Sr. Raposo’) com ‘Ilha dos Cachorros’, que chega aos cinemas brasileiros nesta semana, e adiciona a seus truques típicos algumas novidades. A primeira, mais óbvia, é a influência de elementos da cultura japonesa, das lendas samurais até a estética, passando pela trilha sonora. Além disso, há a presença de uma mensagem política, algo até então nunca visto em sua filmografia.

Como uma distopia futurista digna dos contos de ficção-científica, a história se passa numa metrópole nipônica assolada por um surto de gripe canina. A população está assustada, e o prefeito local sabe como usar isto a seu favor. Logo, ele propõe uma solução mágica: isolar todos os cachorros na ilha que serve como depósito de lixo, para uma quarentena sem prazo para acabar. Mesmo que cientistas lhe apresentem secretamente a cura para aquela doença, o mandatário prefere manter o clima de terror, pois assim se torna o herói que salvou seu povo.

A receita não é muito diferente da aplicada por muitos líderes no mundo real. Basta lembrar dos campos de concentração, muros prometidos para barrar a entrada de imigrantes e outras ideias do tipo. Quando alguma raça é vendida como ameaça, pelos mais diversos motivos, não falte quem surja pensando em tirá-la de perto.

Mas sempre há alguém disposto a nadar contra a corrente, e em ‘Ilha dos Cachorros’ este alguém é o menino Atari. Sofrendo com a perda do fiel companheiro Spots (voz de Liev Schreiber), o garoto arruma uma maneira de ir até a ilha. Lá, é ajudado em sua busca pela matilha formada por Rex, King, Boss, Duke e Chief – dublados por um elenco respeitável de atores, respectivamente Edward Norton, Bob Balaban, Bill Murray, Jeff Goldblum e Bryan Cranston (o protagonista da série ‘Breaking Bad’).

Como se pode perceber, o time responsável por emprestar suas vozes à animação é uma atração à parte. Ainda há Scarlett Johansson, Greta Gerwig, a vencedora do Oscar Frances McDormand, Tilda Swinton, Ken Watanabe, Harvey Keitel e até Yoko Ono. Todos conferem mais personalidades a seus personagens, fazendo com que o público muitas vezes sinta estar diante de criaturas de pêlos, carne e osso, e não de um filme feito em stop-motion.

A cuidadosa técnica artesanal do projeto está presente em todos os aspectos. Na tal ilha onde se passa boa parte da trama, por exemplo, pilhas de garrafas de saquê viram cavernas e montanhas são feitas de sacos de lixo. O design de som também conduz a história, seja nos ambientes frios e repletos de ecos metálicos dos laboratórios ou nas cenas da multidão falando em polvorosa.

Ao transportar sua personalidade para o outro lado do mundo, Wes Anderson consegue dar novos ares a seu cinema, sem perder a identidade. Faz isso naquele que é um dos trabalhos com maior potencial de comunicação com a plateia. Se você é fã do cineasta – e de cachorros – pode se preparar para uma explosão de fofura. (Fonte: Yahoo Entretenimento/ Foto: Divulgação)





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