sexta, 16 de novembro de 2018


Seg, 05 de Novembro de 2018 17:56

Engenheiro e executivo da Odebrecht “entregam” Lula no processo do sítio de Atibaia


 

Em depoimento à juíza federal substituta Gabriela Hardt, o engenheiro civil Emyr Diniz Costa Junior, ex-funcionário da Odebrecht, contou que foi o engenheiro responsável pelas obras realizadas pela empreiteira no final de 2010 e início de 2011, no sítio frequentado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Atibaia, interior de São Paulo. Réu no processo e delator na Operação Lava Jato, Costa Junior disse que foi informado desde o início que as obras eram “um favor” da construtora ao ex-presidente. Foi a primeira audiência conduzida pela juíza após o afastamento de Sérgio Moro do caso por conta de sua indicação para ministro da Justiça.

“Fui chamado pelo diretor-superintendente Carlos Armando Paschoal, que disse que precisava que eu destacasse um engenheiro de confiança para uma reforma no sítio, que seria utilizado pelo presidente Lula. No primeiro contato já ficou claro que era obra sigilosa, foi nos pedido para não identificar como da Odebrecht e não usar a contabilidade da empresa”, relatou, informando que recebia em espécie os recursos (R$ 700 mil) utilizados na obra.

Segundo o engenheiro, a Odebrecht foi responsável pela construção de “uma kit-net para a hospedagem da segurança do presidente; quatro suítes, que já estavam com estrutura pronta; dois depósitos – um era a adega e outro o quarto de empregada, a reforma da piscina, alambrado e gramado de um campo de futebol; e uma sauna”.

Executivo da Odebrecht afirma que atuou na reforma de sítio para Lula

O ex-diretor da Odebrecht e delator da Operação Lava Jato, Carlos Armando Paschoal, prestou depoimento à juíza Gabriela Hardt, nesta segunda-feira (5), na sede da Justiça Federal em Curitiba.

Ele afirmou que foi procurado para ajudar a organizar a reforma no sítio de Atibaia, para o ex-presidente Lula.”Fui procurado pelo empresário Alexandrino Alencar que me pediu apoio para atender um pedido de ajuda na reforma de uma casa em Atibaia, que, segundo ele me relatou, seria utilizada pelo então presidente. Relatou que havia conversado com Dr. Emílio Odebrecht, que tinha autorizado à ele atender esse pedido”, afirmou.

Ainda segundo o delator, Alexandrino tinha ligação tanto com ex-presidente Lula quanto à Emílio Odebrecht. “Ele me disse que não sabia ao certo o que precisava ser feito. Me entregou um papel com um nome e um número de telefone, que era quem iria me dizer o que deveria ser feito”. Paschoal informou que encaminhou o caso para o engenheiro da equipe mais qualificado para a obra.

A Odebrecht não poderia aparecer como empresa que havia executado a obra. “Era sigilo”, disse.

Ele afirmou que as obras teriam custo inicial de pelo menos R$ 500 mil. “O engenheiro responsável afirmou que precisaria de pelo menos R$ 500 mil para fazer a obra e de prazo de pelo menos 30 dias, maior do que eles tinham pedido. As informações foram repassadas a Alexandrino e as obras foram autorizadas nessas condições”, contou.

De acordo com Paschoal, ele não tem certeza de onde veio o dinheiro para a construção. “Como a Odebrecht não poderia aparecer não teria contrato da obra, então a verba só pode ter vindo de Caixa 2. Nós tínhamos na equipe financeira uma pessoa para atender casos de movimentações financeiras não documentadas”.

O delator negou que teve contato com notas fiscais relacionadas a obras do sítio. “Foi pedido mais R$ 200 mil por adicional de custos e excesso de chuvas”.

A delação de Carlos Paschoal foi juntada ao processo, mas ainda está em sigilo. A juíza responsável determinou que seja retirado o sigilo da delação.

Processo do sítio

A Justiça Federal retomou hoje (5) os depoimentos, após o período de suspensão definido pelo juiz Sérgio Moro, devido ao período eleitoral. São 13 réus do processo que devem prestar depoimento até o dia 14 de novembro, quando Lula será ouvido.

De acordo com a denúncia do MPF, o ex-presidente Lula seria responsável por comandar “uma sofisticada estrutura ilícita para captação de apoio parlamentar, assentada na distribuição de cargos públicos na Administração Pública Federal” e teria recebido cerca de R$ 870 mil em vantagens indevidas em forma de reformas, construção de anexos e outras benfeitorias no Sítio de Atibaia. A denúncia foi elaborada com base em depoimentos, documentos apreendidos, dados bancários e fiscais bem como outras informações colhidas ao longo da investigação, todas disponíveis nos anexos juntados aos autos.

O ex-presidente Lula está preso desde abril, em Curitiba, condenado a 12 anos e um mês de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro, pelo Tribunal Regional Federal (TRF4), no processo referente ao Triplex do Guarujá. (Do Paraná Portal)




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