Qui, 31 de Janeiro de 2019 09:27

MAIS UMA 'HERANÇA' DO GOVERNO PT: 59ª fase da Lava Jato prende 2 em investigação de contratos da Transpetro


MPF afirma que Grupo Estre pagou R$ 22 milhões em propinas a Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, e seus representantes.

O ex-presidente de empresas do Grupo Estre Wilson Quintella Filho e o advogado e ex-executivo do grupo Mauro de Morais foram presos na 59ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada pela Polícia Federal (PF), nesta quinta-feira (31).

A atual fase foi batizada de Quinto Ano e cumpre, ao todo, 15 mandados de busca e apreensão e três de prisão temporária. As ordens estão sendo cumpridas em São Paulo e Araçatuba, no interior do estado.

As investigações, segundo o Ministério Público Federal (MPF), miram o pagamento de propinas pelo Grupo Estre em contratos de serviços na área ambiental, reabilitação de dutos e construção naval da Transpetro. Ao todo, são investigados 36 contratos que totalizaram, entre 2008 e 2017, mais de R$ 682 milhões, assim como pagamentos ilícitos superiores a R$ 22 milhões, segundo a Lava Jato.

As investigações tiveram início a partir de declarações de Sérgio Machado, que é ex-presidente da Transpetro e foi indicado e mantido no cargo pelo então PMDB, que celebrou acordo de colaboração com o MPF.

Ele revelou que ajustou com Wilson Quintella o pagamento de propinas de pelo menos 1% dos contratos firmados pelo Grupo Estre (Estre Ambiental, Pollydutos e Estaleiro Rio Tietê) com a estatal.

Investigações

As propinas foram pagas por Wilson Quintella em espécie a Sérgio Machado e seus emissários, mediante sucessivas operações de lavagem de dinheiro que envolveram o escritório Mauro de Morais Sociedade de Advogados, afirma o MPF.

A Receita Federal apurou, ainda conforme os procuradores, que o escritório recebeu, entre 2011 e 2013, cerca de R$ 22,3 milhões de empresas do Grupo Estre, sem que tenha prestado efetivamente qualquer serviço.

As investigações apontam ainda que logo após a realização dos depósitos nas contas controladas por Mauro Morais, ocorriam saques fracionados em espécie e isso era feito como uma forma de burlar os controles do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). No período, o advogado foi responsável por sacar mais de R$ 9,5 milhões, segundo o MPF.

 

Esquema criminoso pode ter ido além da Transpetro

Os procuradores afirmam que o esquema criminoso pode ter ido além da Transpetro. Segundo os procuradores, a atuação criminosa de Wilson Quintella e seu grupo possivelmente alcançou outras áreas, inclusive do sistema Petrobras.

"Após quase cinco anos de Lava Jato, é impressionante que alguns criminosos ainda apostem na impunidade. Há empresas e pessoas com milhões de reais transacionados sem explicação econômica e documental plausível que são alvos desta investigação, que ainda tem muito por avançar. A melhor chance para aqueles que receberam e intermediaram propinas é sair das sombras voluntariamente e colaborar com a Justiça”, afirmou o procurador Júlio Noronha.




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