Ter, 14 de Maio de 2019 15:46

Será que a Guiana conseguirá evitar 'maldição do petróleo' e virar o país mais rico do mundo?


O segundo país mais pobre da América do Sul se prepara para uma mudança: um boom do setor petroleiro pode colocar a Guiana na lista oposta, aquela que reúne os países mais ricos.

Mas o país pode evitar a chamada "maldição do petróleo" e garantir que sua nova riqueza beneficie todos os guianenses?

"Muitas pessoas ainda entendem o quão grande isso é", disse o embaixador americano na Guiana, Perry Helloway, em uma recepção em novembro passado em Georgetown, capital do país, que é vizinho da Venezuela.

  • Quais são os países com as maiores reservas de petróleo e por que isso não é sempre um sinal de riqueza
    • "Em 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) vai aumentar entre 300 % e 1.000 %. Isso é gigantesco. Será o país mais rico do hemisfério e, potencialmente, do mundo", afirmou.
    • O prognóstico do americano pode parecer exagerado, mas com uma população de apenas 750 mil pessoas, a riqueza per capita dos habitantes da Guiana tende a disparar.
    • E isso porque a ExxonMobil, principal operadora de petróleo da Guiana, diz ter descoberto uma reserva de petróleo de mais de 5,5 bilhões de barris nas águas do país no Oceano Atlântico.
    • 'A maldição do petróleo'
    • Essa ex-colônia britânica - único país sul-americano que tem o inglês como língua oficial - tem altas taxas de desemprego e pobreza. Sem dúvida que a entrada de dinheiro na economia é bem-vinda. Mas a história deixa uma advertência para a Guiana.
    • É notório que a descoberta do petróleo em outros países em desenvolvimento levou a um aumento da corrupção. Além disso, a nova riqueza gerada pela exploração do produto foi desperdiçada ou beneficiou apenas uma pequena parcela da sociedade.
    • Há também o risco de que o boom das exportações de petróleo provoque uma valorização excessiva da moeda local , prejudicando a competitividade de outros setores da economia e eventualmente reduzindo o tecido produtivo do país.
    • "Na Guiana, a corrupção é desenfreada", diz Troy Thomas, diretor do escritório da ONG Transparência Internacional no país. Ele se diz "bastante preocupado" com a "maldição do petróleo".
    • Uma recente crise política no país é vista por alguns como um sinal precoce dos efeitos dessa "maldição".
    • Em dezembro, a coalizão governista perdeu uma moção de não confiança no Congresso depois que um dos seus parlamentares votou com a oposição. O governo decidiu desafiar a votação nos tribunais, em vez de convocar eleições.
    • A decisão desencadeou uma série de protestos.
    • "Tudo que pedimos é que o governo respeite a Constituição", disse à BBC uma manifestante, que estava parada em frente ao prédio do governo. "Os políticos só querem permanecer no poder e controlar o dinheiro do petróleo", completa.
    • A batalha continua e, na próxima semana, a Corte de Justiça do Caribe deve analisar a última apelação do caso.
    • Ceticismo
    • Em Sofia, um dos bairros mais pobres de Georgetown, há um certo ceticismo em relação ao futuro do país.
    • Algumas das casas do local, bastante precárias, tiveram acesso a eletricidade e a água corrente apenas neste século.
    • "Cerca de 10% da população de Georgetown mora nessa comunidade, mas os recursos para a área são escassos ", diz Colin Marks, que administra o centro de juventude no bairro.
    • Isso ajuda a explicar o ceticismo sobre a extensão dos benefícios do petróleo.
    • "A maioria das pessoas é sensível a isso porque há mais pontos negativos (na exploração de petróleo) para Guiana do que positivos. E isso acontece por causa da política. Você viu o que aconteceu na Guiné, na Nigéria, na Venezuela, então as pessoas não estão muito certas ", diz Marks.
    • "Em uma comunidade como essa, só queremos saber se teremos uma parte do dinheiro do petróleo, queremos nos beneficiar disso", conclui.

(DA BBC INTERNACIONAL)

S5 Box