segunda, 14 de outubro de 2019


Sex, 02 de Agosto de 2019 21:47

Após cirurgia de quatro horas, onça-parda passa bem e volta ao Refúgio Biológico de Itaipu



Procedimento aconteceu na quarta-feira (31), no campus de Palotina da
Universidade Federal do Paraná. Animal foi recebido pela Itaipu em 25 de
julho



Mais  um  capítulo  foi  escrito  na  recuperação da onça-parda (Puma

concolor)  macho que chegou ao Refúgio Biológico Bela Vista em estado grave

de  saúde, no dia 25 de julho. Na última quarta-feira (31), o animal passou

por  um  procedimento  cirúrgico  de  4,5  horas no hospital veterinário da

Universidade  Federal  do Paraná (UFPR), campus de Palotina, por uma equipe

da  UFPR  e da Divisão de Áreas Protegidas da Itaipu – o médico veterinário

Pedro Henrique Teles e o biólogo Marcos de Oliveira.

De  acordo com Pedro Teles, a cirurgia foi concluída com sucesso, com

prognóstico  favorável.  “Houve  pouca perda sanguínea, não ampliando ainda

mais a anemia em que o animal se encontrava”, informou. Segundo ele, o foco

da fratura foi estabilizado com auxílio de duas placas bloqueadas e um pino

intramedular. “Para auxílio na formação de calo ósseo foi realizado, ainda,

o implante de tecido ósseo retirado do próprio animal.”

Após  o  procedimento  cirúrgico, foram feitas novas radiografias que

confirmaram o bom posicionamento ósseo. Pedro conta que nestas radiografias

foram  encontrados cinco pequenos projéteis de chumbo na face, no pescoço e

no  tórax  da  onça,  indicando  que  ela possa ter sido alvejada por algum

caçador  no  passado.  Como os projéteis foram encapsulados e cicatrizados,

optou-se por não retirá-los.

A  onça-parda  foi,  então,  reencaminhada ao hospital veterinário do

RBV,  em  Foz do Iguaçu, aonde chegou acordado e em alerta. Ela permanecerá

por  um  período  pós-cirúrgico de 60 dias em espaço pequeno, com restrição

dos  movimentos,  para  evitar  a desestabilização da fratura e favorecer a

remodelação  óssea.  “Os  analgésicos  serão  dados via oral, já que a onça

passou a se alimentar de forma voluntária”, conta Pedro Teles.



Sobrevivente

A  onça-parda chegou a RBV inconsciente e em estado grave de saúde no

último  dia  25  de  julho,  encaminhada  pela  Polícia Ambiental de Foz do

Iguaçu.  A informação é que ela tinha sido atropelada na rodovia BR-163, km

322,  entre as cidades de Mercedes e Guaíra, no Oeste do Paraná. A região é

próxima  à Faixa de Proteção Ambiental da Itaipu, de onde, provavelmente, o

animal saiu.

Os primeiros procedimentos foram fazer radiografias que constataram a

fratura  na  pata  traseira direita (membro pélvico direito) e uma lesão no

pulmão. A onça teve ainda traumatismo craniano, um corte na lateral direita

da  face,  um  canino  quebrado  e  sofria  de  anemia. O felino passou por

ultrassom  e análise de sangue e foi levado à ala de internação do hospital

veterinário.

Segundo  Pedro  Teles,  a  prioridade do tratamento foi estabilizar o

animal  e reduzir uma hemorragia cerebral. Foram aplicados analgésicos para

reduzir a dor gerada pelas várias lesões e houve o cuidado com a hidratação

da  onça,  devido  à  perda  de  sangue  e  ao fato de o animal não ingerir

líquidos espontaneamente.



Contra o relógio

Embora  fosse  necessário  esperar  a  evolução  do quadro clínico do

animal  para  realizar a cirurgia, o procedimento não poderia demorar muito

porque,  com  o tempo, inicia-se um processo de fibrose na região fraturada

que poderia dificultar a futura operação.

De  acordo  com  o  médico veterinário do RBV, a cirurgia foi a única

forma  de  fazer  que o animal se recupere plenamente. “Por ser uma espécie

bastante  musculosa  e forte, qualquer forma mais conservadora como talas e

bandagens não surtiriam efeitos positivos”, concluiu. (Imprensa Itaipu)



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