quinta, 17 de outubro de 2019


Seg, 07 de Outubro de 2019 16:53

Por que os socialistas espanhóis não conseguem, como os portugueses, formar uma 'geringonça' para governar?

Pedro da Espanha e Antonio de Portugal Pedro da Espanha e Antonio de Portugal


Português António Costa poderá escolher o melhor parceiro para formar governo enquanto o espanhol Pedro Sánchez terá de submeter-se a novas eleições.

Durante a campanha eleitoral que consagrou os socialistas vencedores na eleição deste domingo, em Portugal, o premiê António Costa invocou frequentemente o exemplo da vizinha Espanha como um fantasma do qual os portugueses deveriam se afastar. A sua mensagem era assertiva: Portugal figurava como modelo de estabilidade; a Espanha, de impasse.

“Tivemos quatro anos de estabilidade, e a Espanha teve quatro eleições em quatro anos, e isso nós não podemos ter no futuro”, resumia Costa.

Embutido nesse recado estava o objetivo de Costa para alcançar a maioria absoluta no Parlamento e não depender mais da coalizão apelidada de geringonça, formada entre o Partido Socialista, o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista.

Os eleitores respaldaram, nas urnas, a aliança entre estes partidos de esquerda. Socialistas ampliaram o número de cadeiras de 86 para 106 (ainda há quatro a serem definidas), mas ficaram a 10 da maioria absoluta almejada por Costa. O governo terá de buscar uma nova coalizão, mas pode se dar ao luxo de escolher o melhor parceiro.

Se em Portugal partidos de esquerda romperam o tabu da falta de diálogo e foram bem-sucedidos para formar governo com socialistas no comando, na Espanha o processo de negociação se revelou mais complexo. No cargo desde junho de 2018, o socialista Pedro Sánchez venceu as eleições de abril passado, conquistando 123 dos 350 assentos, mas distante dos 176 deputados necessários para a maioria absoluta.

A opção natural seria uma aliança com o partido esquerdista Unidas Podemos, liderado por Pablo Iglesias, que obteve 42 cadeiras, e também legendas menores. As conversas, no entanto, fracassaram.

O Podemos fez exigências que foram rechaçadas pelo PSOE. Iglesias pleiteou ministérios estratégicos, como o do Trabalho e o de Energia. Sánchez não cedeu: defende um acordo político sem ter que partilhar o governo.

O impasse prevaleceu, e novas eleições – a segunda em um ano e a quarta desde 2015 -- estão convocadas para o próximo mês. Sánchez espera, com isso, aumentar o número de deputados, mas pode ser surpreendido pelo desgaste provocado pelo processo: cerca de 40% dos eleitores atribuem ao PSOE a falta de governo.

E o Podemos, por outro lado, já se fragmentou. Ex-parceiro de Iglesias, Iñigo Errejón anunciou que concorrerá com novo partido, o Más País, para conquistar eleitores interessados também numa coligação com o PSOE.

Tanto em Portugal quanto na Espanha, o segredo da governabilidade está na fórmula da cooperação entre forças progressistas. António Costa larga com vantagem: os socialistas têm mais cadeiras do que a soma dos partidos conservadores. Pedro Sánchez se arrisca a um novo julgamento do eleitor. (Blog Andria Sdi/Globo)


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