quarta, 13 de novembro de 2019


Qui, 24 de Outubro de 2019 11:41

'Coringa' mostra a importância do debate sobre doenças mentais


"A pior parte de ter uma doença mental é que as pessoas esperam que você se comporte como se não a tivesse". A frase é uma das muitas que Arthur Fleck, personagem principal do filme 'Coringa', escreve em seu diário psiquiátrico. A trama, que estreou nos cinemas mundo afora em outubro deste ano, fez com que muitos espectadores saíssem do cinema um tanto quanto incomodados. Por quê?

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Segundo o Dr. Luiz Guimarães, psiquiatra assistente na clínica Holiste, o que gerou esse incômodo em massa com o filme foi a forma como a violência utilizada é próxima do mundo real. O longa, apesar de contar a história de um personagem fictício, que vive em uma cidade fictícia, Gothan City, retrata uma realidade que pode parecer extrema, mas é muito mais próxima do que se imagina.

"É a identificação do espectador com esse tipo de violência, ao contrário de outros filmes, como o 'Rambo'’ ou John Wick', nos quais a violência é usada de maneira esvaziada, que deixa o público menos impactado", explica.

Não à toa, o filme foi considerado bastante problemático em alguns mercados, em especial o norte-americano, e muitos jornais o classificaram como um glorificador da violência. Em um país onde aconteceram mais de 2.200 atentados em massa com armas de fogo desde o caso do colégio Sandy Hook, é compreensível a dificuldade do público em aceitar um filme mostre a trajetória de um homem branco que usa as injustiças pelas quais passou como um catalisador para a violência. É impossível também não lembrar que, em 2012, um homem vestido como o Coringa abriu fogo contra um cinema lotado durante uma sessão do filme 'Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge no Colorado’.

Mas assim como videogames não são responsáveis pelo comportamento violento de alguém, o mesmo pode-se dizer dos filmes - que podem ser vistos como ferramentas de conversas importantes. Para Luiz, o filme coloca o foco na doença mental do personagem principal e como, ao longo do filme, o seu problema escalona pela falta de cuidado frequente - e deixa claro que Arthur têm um transtorno psíquico sério.

"O personagem principal possivelmente apresenta uma síndrome, denominada síndrome pseudobulbar. Classicamente, se caracteriza por dificuldade para falar e para engolir adequadamente, alteração na movimentação dos músculos da face e da língua e labilidade emocional (riso ou choro inadequados, exagerados ou desproporcionais a um evento)", explica o médico neurocirurgião e neurocientista Dr. Fernando Gomes, professor livre docente do Hospital das Clínicas e da USP.

De acordo com o profissional, essa síndrome pode desencadear depois de um AVC, trauma de crânio, por conta de uma esclerose múltipla ou outras doenças neurológicas do cérebro. O tratamento envolve uma abordagem multidisciplinar e reabilitação (neurologia, fonoaudiologia, fisioterapia, terapia ocupacional e psicologia) e medicamentos sintomáticos para evitar que o comportamento violento e inadequado possa propagar ainda mais em decorrência do problema. Ou seja, se esse é o caso ou não, é preciso ter mente que transtornos como esse precisam de um acompanhamento próximo e constante para não culminar em episódios de violência.





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