quarta, 22 de janeiro de 2020


Sáb, 23 de Novembro de 2019 23:38

Esquerda pode perder comando no Uruguai depois de 15 anos no poder; segundo turno das eleições será neste domingo

CANDIDATO LACALLE POU LIDERA PESQUISA NESTE SEGUNDO TURNO CANDIDATO LACALLE POU LIDERA PESQUISA NESTE SEGUNDO TURNO



Pela primeira vez desde que foi eleita para a Presidência do Uruguai, há 15 anos, a coalizão Frente Ampla, formada pelo ex-presidente José "Pepe" Mujica e pelo atual presidente Tabaré Vázquez, corre o risco de perder o poder no país.

Pesquisas de opinião apontam vantagem para o candidato da oposição Luis Lacalle Pou, do Partido Nacional, em relação ao presidenciável governista Daniel Martínez, da Frente Ampla. Um levantamento da empresa Factum divulgado na quarta-feira (20/11), quatro dias antes do segundo turno da eleição neste domingo, indicou que Lacalle Pou contaria com 51% da intenção de votos e Martínez, com 43%.

A distância entre os dois presidenciáveis apareceu um pouco maior na pesquisa Metrocall Contact Center, publicada pelo jornal uruguaio El País, na quinta-feira (21), com 52% para o opositor e 41% para o candidato da situação. Setores governistas observam que o índice de indecisos, em torno de 4% a 6%, ainda é alto, mas admitem as dificuldades.

"Sem dúvida, essa é a nossa eleição mais difícil para presidente. Existe uma crise (econômica) regional que impacta o Uruguai. Outro fato é o processo de mudança de lideranças da Frente Ampla. Não é fácil, tendo líderes marcantes como Mujica, Tabaré e Astori", disse à BBC News Brasil o deputado federal José Carlos Mahía, da Frente Ampla, eleito, em outubro passado, para seu sexto mandato seguido na Câmara dos Deputados.

Tabaré, de 79 anos, Mujica, de 84 anos, e o ministro da Economia Danilo Astori, de 79 anos, são apontados, dentro e fora da Frente Ampla, como o "triunvirato" e os "pilares" da coalizão que chegou à Presidência em 2004.

 

Segundo analistas e políticos entrevistados pela BBC News Brasil, pelo menos três fatores justificariam a insatisfação do eleitorado uruguaio: a desaceleração da economia (a estimativa do Fundo Monetário Internacional é de que a economia do país cresça só 0,4% neste ano), afetada pelo mau desempenho das economias do Brasil e da Argentina, a preocupação com a segurança pública e o desgaste pelo longo período no poder.

 

"A economia não vai bem, e já são 15 anos de gestão. É muito tempo. Precisamos dar uma guinada para que o Uruguai volte a crescer e a ampliar seu comércio internacional", disse o ex-chanceler e opositor Sergio Abreu, que apoia Lacalle Pou.

A economia uruguaia registrou crescimento econômico durante os últimos 15 anos seguidos. Mas neste ano registra "estancamento", resultado influenciado pela queda nos preços das commodities que também afeta os outros países da região, explicam especialistas. O aumento na taxa de desemprego, que agora está em torno dos 10%, é outro motivo de insatisfação dos eleitores, de acordo com analistas.

"A economia também afetou o voto, principalmente do interior do país. Neste ano, há redução de investimentos, aumento no desemprego e desaceleração do mercado interno", disse Gerardo Caetano, professor de Ciências Políticas da Universidade da República, de Montevidéu.

"A oposição deverá ganhar forte no interior do país, onde a preocupação com a segurança, influenciada também pela questão econômica, tem muito peso para o eleitorado. Ficou a imagem de que a Frente Ampla não combateu a insegurança", agregou.

Os homicídios aumentaram 45% no Uruguai no ano passado, e cresceram também os roubos com violência (53%) e os sem violência (23%), segundo o Ministério do Interior. Apesar de esses índices pemanecerem em patamares bem inferiores ao restante da América Latina, analistas e moradores ouvidos recentemente pela BBC News Mundo (serviço em espanhol da BBC) apontam que os aumentos impactam a qualidade de vida da população e elevam a sensação de insegurança geral.




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