Seg, 30 de Março de 2020 15:21

ARTIGO - O SHUTDOWN BRASILEIRO

*Por João Teodoro, presidente do Sistema Cofeci-Creci *Por João Teodoro, presidente do Sistema Cofeci-Creci


A palavra inglesa shutdown significa "desligamento, desativação, paralisação". É o que hoje acontece com a economia mundial, inclusive a brasileira. Por aqui, de maneira totalmente desarmônica e individualizada, governadores e prefeitos adotam, ao seu próprio alvedrio, as mais desencontradas medidas de combate à propagação do coronavírus.

Entretanto, a mais desastrada, porém unânime, de todas as ações, indiscutivelmente, é a paralisação da economia, com decretos e mais decretos, ordenando o fechamento do comércio não essencial e de tudo o que diz respeito a passatempo ou entretenimento, além da clausura induzida ou forçada da população em suas próprias casas.

É inexorável que o "desligamento" da economia por longo período nos conduzirá à recessão, se não ao colapso total. O Brasil não dispõe do fôlego financeiro e econômico das grandes potências mundiais. Mas falar sobre isso por aqui constitui-se em inexpugnável tabu. Com raras e nobres exceções, ninguém se atreve a contrariar as recomendações de isolamento, propalada pela comunidade científica como único caminho para combate ao vírus.

A economia brasileira, não obstante os esforços dos apologistas do "quanto pior melhor" para retroceder o país ao status de um dos mais corruptos do mundo, apoiada no programa liberal adotado pelo atual governo federal, vinha apresentando bons sinais de reaquecimento. No entanto, de repente, despenca em queda livre, de roldão, com o resto do planeta. Quanto custará recuperá-la?

Pela internet, o apresentador Marcos Mion e o empresário Roberto Justus discutiram o que pensam a respeito do combate ao coronavírus. Mion, histericamente, afirma que o Brasil chegará a um milhão de mortos pelo COVID19, se não adotar o isolamento. Justos, mais realista, pondera sobre os malefícios econômicos do shutdown e nos concita à reflexão: até agora, em todo o mundo (7,5 bilhões de pessoas), apenas 15 mil morreram por conta do vírus. Como poderia só o Brasil chegar a um milhão?

Geraldo Samor, do Newslwtter Brazil Journal, corrobora com Justus. Além do custo financeiro anunciado (R$148 bilhões em ajuda à sociedade, mais R$88 bilhões aos estados e municípios), a paralisação do Brasil desorganizará a economia e promoverá desemprego, desespero e violência. As principais vítimas serão as de sempre: trabalhadores, desempregados, autônomos e as pequenas empresas.

Médicos são treinados para salvar vidas. Eles não têm obrigação de considerar danos econômicos. Mas os governantes têm. Só os EUA preveem estímulo à economia de dois trilhões de dólares - 10% de seu PIB. Mas pode ser insuficiente. Ninguém jamais experimentou paralisar 80% da economia global e, depois, reativá-la, pondera Samor. Como saber quanto custará?

Se há falta de infraestrutura na saúde, não seria mais fácil e menos custoso, inclusive emocionalmente, criar uma economia de guerra para supri-la rapidamente, ao invés de paralisar toda a economia? Shakespeare talvez dissesse: há mais por trás do tal vírus do que imagina nossa vã filosofia. O desemprego, a falta de perspectivas e a violência que advirão, certamente matarão mais do que o COVID19. Veja o vídeo do Seu Mizuka "O Brasil precisa saber": http://youtu.be/08BdzXyLSoY.

Se há falta de infraestrutura na saúde, não seria mais fácil e menos custoso, inclusive emocionalmente, criar uma economia de guerra para supri-la rapidamente, ao invés de paralisar toda a economia? Shakespeare talvez dissesse: há mais por trás do tal vírus do que imagina nossa vã filosofia. O desemprego, a falta de perspectivas e a violência que advirão, certamente matarão mais do que o COVID19. Veja o vídeo do Seu Mizuka "O Brasil precisa saber": http://youtu.be/08BdzXyLSoY.

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João Teodoro: E empresário no mercado da construção civil em Curitiba (PR). Graduado em Direito e Ciências Matemáticas, foi professor de Matemática, Física e Desenho na PUC/PR. É técnico em Edificações e em Processamento de Dados. Foi presidente do Creci-PR por três mandatos consecutivos, presidente do Sindicato dos Corretores de Imóveis do Paraná de 1984 a 1986 e diretor da Federação do Comércio do Paraná. No Cofeci, atua desde 1991, quando passou a exercer o cargo de conselheiro federal, e é presidente desde 2000.




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